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Pré-candidato, Flávio Bolsonaro defende mais privatização, prisões e armas no Brasil

Nas pesquisas eleitorais, o parlamentar da extrema direita fica atrás do presidente Lula, que lidera todos os levantamentos

Flávio Bolsonaro (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

247 - Pré-candidato à presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem antecipado uma série de propostas que pretende colocar em prática se for eleito em outubro. O parlamentar da extrema direita tem ficado em segundo lugar nas pesquisas. O presidente Lula (PT) lidera todos os levantamentos, conforme demonstraram a pesquisa Meio Ideia, neste mês, e a AtlasIntel, em janeiro. As informações foram publicadas neste domingo (22) pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Na área econômica, o parlamentar defendeu um “tesouraço” de gastos públicos e impostos, mas não explicou exatamente o que será feito. “Não dá para falar isso aqui agora, porque é um emaranhado de impostos, é um castelo de cartas. Se você quiser tirar um imposto, você tira uma carta, vai desabar do outro lado”, disse.

O senador defende a privatização de estatais e menciona com frequência os maus resultados dos Correios. “Sou muito favorável a privatizações. Uma gestão privada sempre tende a ser uma gestão focada no resultado, na qualidade do serviço prestado, mas também a gente não pode falar: ‘vamos privatizar tudo’. Tem que ver caso a caso”, afirmou.

“Se você pegar as nossas ferrovias brasileiras, nós temos basicamente um escoamento de toda a nossa produção para o litoral, mas não há uma interconexão da Região Centro-Oeste com os portos da Região Norte e Nordeste de uma forma direta. O presidente Bolsonaro inovou mais uma vez ao permitir a possibilidade de que projetos possam ser passados pela iniciativa privada pelo modelo de autorização”, exemplificou.

O filho de Jair Bolsonaro (PL) cita a digitalização da estrutura estatal e econômica. “Se conseguirmos concentrar tudo isso de forma moderna e digitalizada, não tenho dúvida de que vai chover investimento aqui”. O pré-candidato defendeu reformas. “Tem que fazer muitas reformas. Tem a reforma administrativa, tem a reforma eleitoral. A gente tem que revisitar a reforma tributária que foi feita.”

O senador diz que trabalhará por um Estado mais enxuto, pela redução da burocracia e para melhorar o ambiente de negócios. “São 38 ministérios. Fico imaginando uma reunião do presidente da República com todos os seus ministros. Você não consegue cobrar resultado, você não consegue cobrar meta, você não consegue discutir projetos bons para a população”.

Segurança Pública e educação

O senador disse que, se for eleito, investirá na construção de presídios. “Tem que construir presídio para caramba. (Falam) ‘Tem que construir mais escola e menos presídio’. Concordo, mas o que precisa agora é presídio, porque essas pessoas precisam ficar presas, até para a molecada poder estudar em paz”, afirmou.

“Vamos botar no papel, no plano de governo, é arregaçar esses marginais. É para ficar preso, mofar na cadeia, cumprindo a Lei de Execuções Penais, mas ficar lá agarrado”, acrescentou. “No Brasil, a gente tem que começar a resgatar os territórios que hoje são dominados por organizações narcomilicianas, narcoterroristas”. O parlamentar pontuou que pretende flexibilizar o porte de armas.

Na área educacional, Flávio citou o mercado de tecnologia e de inteligência artificial como uma forma de reduzir a dependência da população de programas assistenciais. “O Brasil tem mais de 800 mil vagas ociosas para quem quer trabalhar, por exemplo, com inteligência artificial, tecnologia da informação. Por quê? Porque não tem qualificação. As pessoas não sabem trabalhar com isso. Por que, em vez de você ficar vendendo, se aproveitando da miséria das pessoas, você não usa para qualificar essas pessoas?”, questionou.

O senador sinalizou a intenção de manter programas assistenciais: “Programas como o Bolsa Família vão ser mantidos, e as pessoas que precisarem do Estado, vamos abraçar essas pessoas”.

Relações Exteriores

A parlamentar afirmou que adotará uma atitude pragmática nas relações com os outros países. “Trump defende os interesses do povo americano. É o que pretendo fazer aqui mesmo. Quando for para qualquer mesa de negociação para fora, não tem subordinação, submissão, nada”.

Comunicação de governo

O senador sinalizou que investirá mais em publicidade estatal do que o pai, que apostou na comunicação via redes sociais. “Sou da linha que a gente tem que investir em publicidade, porque as pessoas precisam saber o que o governo está fazendo. Eu falava isso com meu pai. Eu falava assim: ‘Pai, até a Coca-Cola, a marca mais consolidada no mundo, investe pesado em publicidade’”, disse.

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