Veja como a PF conseguiu acessar o celular bloqueado de Daniel Vorcaro
Entre os softwares utilizados pela Polícia Federal estão o GreyKey, desenvolvido nos Estados Unidos, e o Cellebrite, criado em Israel
247 - A tecnologia utilizada pela Polícia Federal para analisar o celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro possibilitou romper camadas de segurança e realizar uma cópia integral da memória do aparelho, permitindo acesso detalhado a diversos tipos de informações armazenadas no dispositivo. O procedimento viabilizou a recuperação de mensagens, fotos, vídeos, registros de chamadas, documentos e até arquivos que haviam sido apagados. As informações foram divulgadas em relatos publicados na coluna da jornalista Mirelle Pinheiro.
Entre os softwares utilizados pela Polícia Federal estão o GreyKey, desenvolvido nos Estados Unidos, e o Cellebrite, criado em Israel. Os programas são capazes de acessar o conteúdo interno do telefone mesmo quando ele está desligado ou protegido por senha, ampliando o alcance da perícia sobre dados armazenados e ocultos no sistema.
Segundo a descrição, quando um celular é recolhido pelas autoridades, o primeiro passo é isolar o dispositivo para impedir qualquer comunicação externa. A medida evita que aplicativos ou sistemas de segurança possam apagar dados remotamente, prática comum em situações envolvendo investigações de grande repercussão.
Caso o dispositivo não responda aos métodos convencionais de extração digital, os peritos podem recorrer a procedimentos físicos. Um deles é a retirada direta do chip de memória, técnica conhecida como chip off, que permite a leitura das informações fora do aparelho, por meio de equipamentos especializados.
No caso envolvendo Daniel Vorcaro, a perícia foi realizada no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília (DF), em um ambiente de acesso controlado. Todo o material obtido durante o processo foi organizado e catalogado para análise dos investigadores, dentro dos protocolos de segurança adotados em investigações dessa natureza.
Entenda
As movimentações no cenário político brasileiro avançam em paralelo às investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre um suposto esquema de fraudes financeiras que envolveria o Banco Master e outras instituições. De acordo com estimativa da corporação, as operações sob apuração podem ter movimentado até R$ 17 bilhões.
Um dos pontos mais recentes de controvérsia envolve a participação societária do ministro Dias Toffoli na empresa Maridt. A companhia realizou negociações com um fundo administrado pela Reag, entidade ligada ao Banco Master. Toffoli admitiu ser sócio da empresa, mas negou ter efetuado transações financeiras com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O caso segue alimentando discussões no Congresso Nacional e no meio jurídico, enquanto as apurações continuam sob responsabilidade das autoridades encarregadas da investigação.


