Zanin assume relatoria no STF de ação que pede CPI do Master
Após Toffoli declarar suspeição, a Corte redistribuiu o mandado de segurança que cobra instalação da comissão investigativa no Legislativo
247 - O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, passou a ser o responsável pelo mandado de segurança que exige a criação da CPI do Banco Master na Câmara dos Deputados. A redistribuição do caso foi revelada nesta quarta-feira (11) pela coluna de Manoela Alcântara e ocorre após uma sequência de desdobramentos que culminaram no afastamento do relator anterior.
Conforme apurado pela coluna, o novo sorteio se tornou necessário depois que o ministro Dias Toffoli comunicou formalmente sua suspeição para atuar no processo. A saída de Toffoli da relatoria foi diretamente motivada por uma série de reportagens que expuseram vínculos entre o magistrado e o universo financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master.
O nó que afastou Toffoli
As publicações jornalísticas revelaram que Toffoli figura como sócio de uma empresa que negociou com fundos ligados a Vorcaro a venda de parte do resort Tayayá, empreendimento localizado no Paraná. O episódio ganhou contornos ainda mais delicados quando veio à tona que um relatório da Polícia Federal encaminhado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, mencionava o nome do magistrado com base em dados extraídos do celular do próprio banqueiro.
Diante do acúmulo de informações comprometedoras para sua isenção, Toffoli formalizou o impedimento em decisão escrita: "Declaro minha suspeição por motivo de foro íntimo. Determino à Secretaria Judiciária que encaminhe o processo à presidência desta Suprema Corte para a adoção das providências que julgar pertinentes."
O que está em jogo na CPI
O mandado de segurança em tramitação no STF pressiona a Câmara dos Deputados a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito voltada a investigar o Banco Master. A instituição financeira esteve no centro de uma operação de fusão com o BRB — Banco de Brasília — que gerou forte reação no mercado e acendeu o debate sobre os riscos assumidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) na operação.
Com Zanin agora à frente da relatoria, caberá ao ministro conduzir a análise do pedido e definir os próximos passos processuais, incluindo eventual concessão de liminar que obrigue a Câmara a dar andamento à comissão investigativa.

