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PF mira caixa dois em campanhas municipais no Maranhão

Operação Fundo Oculto apura desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento ilegal nas eleições de 2024

Sede da Polícia Federal (Foto: Agência Brasil )
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247 - A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (10), a Operação Fundo Oculto para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento ilegal de campanhas nas eleições municipais de 2024 no Maranhão, informa Mirelle Pinheiro, do Metrópoles.

De acordo com a investigação, duas organizações criminosas teriam usado empresas contratadas por prefeituras para movimentar verbas públicas e abastecer candidaturas de forma clandestina durante o período eleitoral. A apuração aponta que os recursos saíam de contratos firmados com administrações municipais e, após os pagamentos às empresas, eram rapidamente sacados ou transferidos para contas de terceiros.

Segundo a PF, a dinâmica tinha como objetivo dificultar o rastreamento do dinheiro. As movimentações consideradas atípicas se aproximaram de R$ 10 milhões, principalmente nas semanas que antecederam as eleições. Em um dos núcleos investigados, cerca de R$ 2 milhões teriam sido direcionados a repasses ilícitos.

As investigações também indicam que um funcionário de uma instituição bancária em São Luís teria auxiliado a estrutura criminosa na operacionalização das transações financeiras. Para a PF, o grupo utilizava mecanismos associados à lavagem de dinheiro, com retirada de valores das contas das empresas e posterior distribuição por meio de pessoas usadas como intermediárias.

Durante as apurações, foram apreendidos documentos e arquivos que, segundo a corporação, apontam a existência de controles paralelos de caixa dois. O material também reuniria registros sobre distribuição de valores em espécie e estratégias adotadas para tentar evitar a fiscalização.

Até o momento, os investigadores identificaram 15 candidatos que teriam sido beneficiados diretamente pelo esquema ou que aparecem em negociações envolvendo possíveis repasses ilegais. A apuração também aponta a distribuição de recursos a servidores públicos.

Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão. A Justiça autorizou ainda a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, o afastamento de um servidor público e o sequestro de bens que somam R$ 4 milhões.

A Operação Fundo Oculto busca avançar na identificação dos beneficiários, rastrear o destino final dos recursos e recuperar valores que possam ter sido desviados. Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica eleitoral, desvio de recursos públicos e outros delitos contra a administração pública.

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