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PF vai investigar suposto monitoramente ilegal de secretário de João Campos

Investigação foi determinada pelo ministro do STF Gilmar Mendes após denúncia de monitoramento ilegal feito pela Políca Civil

João Campos (Foto: Grupo Esfera / Divulgação)

247 - A Polícia Federal vai instaurar inquérito para investigar suspeita de monitoramento ilegal atribuído a agentes da Polícia Civil de Pernambuco contra integrantes da prefeitura do Recife. A apuração envolve denúncia de possível rastreamento do secretário de Articulação Política e Social, Gustavo Queiroz Monteiro. As informações são da revista Veja.

A abertura formal do inquérito ocorre após determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No fim de janeiro, o magistrado ordenou que a Polícia Federal analisasse a “existência de elementos mínimos que indiquem a possível prática de infrações penais”.

Decisão do STF impulsiona investigação

A decisão de Gilmar Mendes foi motivada por denúncia segundo a qual o secretário municipal estaria sendo alvo de rastreamento realizado por integrantes da Polícia Civil de Pernambuco. A partir da análise preliminar solicitada pelo STF, a corporação decidiu formalizar a investigação.

Com a instauração do inquérito, a Polícia Federal deverá apurar se houve prática criminosa, identificar eventuais responsáveis e esclarecer as circunstâncias do suposto monitoramento.

Pré-campanha eleva tensão em Pernambuco

O caso ocorre em meio ao cenário de pré-campanha no estado. O prefeito do Recife, João Campos (PSB), é apontado como possível candidato ao governo estadual, em eventual disputa com a atual governadora Raquel Lyra (PSD).

"Monitoramento indevido"

No início de fevereiro, a Polícia Civil de Pernambuco reconheceu oficialmente que realizou um “monitoramento indevido” de aliados do prefeito do Recife, João Campos (PSB), sem que houvesse qualquer procedimento investigativo formal que justificasse a ação. A confirmação está em um ofício assinado pelo delegado-geral Felipe Monteiro Costa, no qual a corporação admite que a operação denominada “Nova Missão” não teve registro oficial, nem boletim de ocorrência, nem abertura de investigação, levantando suspeitas sobre a atuação clandestina do aparato policial em meio à disputa política no estado, relata o jornal O Globo.

Em um ofício encaminhado ao escritório Lacerda e Trindade Advogados Associados, a Polícia Civil afirma que não houve instauração de Verificação Preliminar de Informação (VPI), nem designação formal de delegado ou agentes responsáveis, tampouco abertura de processo administrativo ou criminal. O texto também aponta que não foi gerado número no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), não houve comunicação ao Poder Judiciário e não existe auto ou relatório técnico formal produzido sobre a ação.

Na época, a Polícia Civil declarou que a ação teria sido motivada por uma denúncia anônima sobre suposto pagamento de propina a um servidor municipal. No entanto, como não teriam sido encontrados indícios suficientes, o inquérito não chegou a ser instaurado. O novo ofício, porém, reconhece que essa denúncia nem sequer foi registrada em sistemas oficiais, tendo sido recebida fisicamente em um envelope.

Em resposta, a Prefeitura do Recife reagiu afirmando que a confirmação da inexistência de procedimento formal comprova que a atuação dos policiais foi “ilegal, inconstitucional e imoral”. A gestão municipal também sustenta que a estrutura da Polícia Civil pode ter sido utilizada de forma política, dentro de um cenário de antecipação da disputa eleitoral entre João Campos e Raquel Lyra.

O 247 procurou a assessoria do Governo de Pernambuco, mas não obteve retorno até a publicação da matéria. O espaço segue aberto para a manifestação. 

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