Após críticas a Flávio Bolsonaro, Zema recebe ultimato do Novo
Partido diz que Zema pode ficar sem apoio para manter sua pré-candidatura presidencial
247 - Ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo) recebe um ultimato de seu partido após críticas ao senador e também pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A cúpula da legenda cobrou uma mudança de postura em relação ao áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro e a Daniel Vorcaro, sob o argumento de que a continuidade dos ataques pode comprometer o desempenho eleitoral do partido em 2026, informa o R7.
Zema participou de uma reunião na terça-feira (26) com parlamentares do Novo e presidentes estaduais da legenda. No encontro, ele foi informado de que poderá ficar sem apoio partidário para disputar a Presidência da República caso mantenha a postura adotada sobre o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro.
A principal preocupação interna do Novo, segundo o relato, é o desempenho da legenda nas eleições para a Câmara dos Deputados. Integrantes do partido avaliam que a sobrevivência política da sigla depende da superação da cláusula de barreira, mecanismo que condiciona o acesso a recursos e tempo de propaganda ao desempenho eleitoral.
Uma fonte da legenda resumiu o temor interno: “A maior preocupação do Novo hoje é sobreviver. É superar a cláusula de barreira. Essa postura pode atrapalhar o desempenho do partido na disputa por cadeiras na Câmara”.
Interlocutores do partido enxergavam a eventual candidatura de Zema ao Planalto menos como uma aposta concreta de vitória e mais como uma estratégia para ampliar a visibilidade nacional do Novo. A avaliação era de que a presença do ex-governador na corrida presidencial poderia impulsionar a votação da legenda para cargos legislativos, especialmente na Câmara.
Esse cálculo, no entanto, passou a ser questionado após as críticas de Zema a Flávio Bolsonaro. Para dirigentes e parlamentares do Novo, a postura do ex-governador não dialoga bem com parte do eleitorado da legenda e pode gerar desgaste desnecessário no campo político em que o partido tenta se fortalecer.
Segundo o relato, correligionários também avaliam que Zema está mal orientado politicamente. A leitura feita por integrantes do Novo é que ele não precisaria sair em defesa de Flávio Bolsonaro, mas tampouco deveria atacá-lo. Para esses aliados, a melhor estratégia seria manter silêncio sobre o caso e evitar um confronto capaz de produzir perdas eleitorais para a sigla.
Durante a reunião, integrantes do partido deixaram claro que a manutenção da postura atual pode inviabilizar a candidatura presidencial de Zema pelo Novo. Conforme o estatuto da legenda, a decisão sobre lançar ou não uma candidatura à Presidência cabe aos parlamentares e aos presidentes estaduais do partido.
A pré-candidatura do ex-governador, portanto, passa a depender de uma recomposição interna. O episódio expõe a tensão entre o projeto nacional de Zema e a prioridade imediata do Novo: preservar sua bancada, ampliar sua presença no Congresso e garantir força institucional nas eleições de 2026.


