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Cleitinho pode não dividir palanque com Flávio Bolsonaro em Minas, avisa Republicanos

Senador ainda não confirmou candidatura ao governo mineiro

Cleitinho (Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado)
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247 - O palanque de Flávio Bolsonaro (PL) em Minas Gerais ficou mais incerto após o Republicanos afirmar que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) não pretende mudar suas posições políticas para agradar o pré-candidato do PL à Presidência, em meio a novas dificuldades na articulação da direita no estado, relata o Metrópoles.

O presidente do Republicanos em Minas, Euclydes Pettersen, não considera garantido que Cleitinho, caso decida disputar o governo estadual, divida palanque com Flávio. O dirigente afirmou que o senador mineiro manterá seu estilo político, inclusive em temas que podem desagradar aliados do bolsonarismo.

A indefinição ocorre em um momento de desgaste para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, que enfrenta turbulências políticas e queda em pesquisas eleitorais diante do presidente Lula (PT). Minas Gerais é visto como um dos estados decisivos para a disputa nacional, o que aumenta o peso da escolha do palanque local.

Cleitinho, apontado como um dos nomes preferidos do bolsonarismo para a disputa pelo Palácio Tiradentes, ainda não confirmou se será candidato ao governo de Minas. Segundo Pettersen, mesmo que entre na corrida estadual, o senador não pretende alterar sua postura pública para se ajustar aos interesses eleitorais de Flávio.

O dirigente do Republicanos também indicou que a eventual composição com o PL ainda depende de avaliações políticas dos dois lados. Para ele, será necessário medir se as posições de Cleitinho poderiam gerar prejuízos a uma candidatura nacional ou ao próprio projeto estadual do senador.

“Tem que saber se isso (manter as posições) vai prejudicar uma candidatura nacional ou não, ou a dele. Ele vai manter o posicionamento dele, mas se ficar claro que alguém pode sair prejudicado acredito que ele [Cleitinho] possa sair [candidato em MG] sem um palanque nacional”, afirmou Pettersen.

A relação entre os grupos ficou mais sensível depois que Cleitinho saiu em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), em meio ao embate público envolvendo ela e o senador Flávio Bolsonaro. Michelle acusou o enteado de ter sido grosseiro e ríspido com ela. O senador mineiro afirmou que a ex-primeira-dama foi “atacada de forma covarde” pela própria direita. A fala de Cleitinho foi interpretada como mais um sinal de distanciamento em relação ao núcleo político de Flávio Bolsonaro. 

Pettersen citou ainda votações em que Cleitinho se alinhou ao governo Lula no Congresso, como no caso do fim da escala 6x1. O ponto é considerado sensível para setores da direita que buscam nacionalizar a disputa contra o PT. “Se o Flávio quiser o Cleitinho, ele não vai mudar o estilo dele, será que eles vão querer também? O Cleitinho tem diversos projetos que votou com o governo. Ele vai acenar para quem for ganhar a eleição, o interesse maior é Minas Gerais”, afirmou Pettersen.

A declaração reforça a estratégia do Republicanos de priorizar a agenda mineira na montagem da chapa estadual. Para o partido, Cleitinho deve dialogar com quem tiver maior chance de vencer a eleição presidencial, independentemente da construção nacional do PL.

Do lado do PL, o presidente estadual da legenda, deputado federal Zé Vitor, tem afirmado que o partido aguarda uma definição de Cleitinho sobre a possibilidade de candidatura ao governo de Minas. O senador pediu prazo até depois da Copa do Mundo para decidir se entrará ou não na disputa.

Caso Cleitinho recuse o convite, o PL trabalha com alternativas para a corrida estadual. Entre os nomes citados estão o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli (PL) e o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL).

A indefinição mantém aberto o desenho eleitoral da direita em Minas Gerais e expõe as dificuldades de Flávio Bolsonaro para consolidar alianças em um estado estratégico. A decisão de Cleitinho tende a influenciar não apenas a disputa local, mas também a capacidade do PL de estruturar um palanque competitivo para a eleição presidencial.

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