Freixo diz que Cláudio Castro não reúne condições para disputar eleição ao Senado
Autor da ação que levou à cassação de Castro, ex-deputado afirma que cenário político e judicial inviabiliza candidatura do bolsonarista
247 - O ex-deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ) afirmou que não vê viabilidade para uma candidatura do ex-governador Cláudio Castro (PL) ao Senado. Autor da ação que resultou na cassação de Castro, Freixo declarou ao SBT News que o bolsonarista enfrenta um cenário político e judicial desfavorável. "Cláudio Castro não tem condição de sair candidato, se é que vai continuar em liberdade", afirmou.
Segundo Freixo, o projeto político do grupo de Castro previa a sucessão do governo fluminense pelo então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar. "No projeto Cláudio Castro, o próximo governador do Rio seria o Rodrigo Bacellar. Não foi porque a Polícia Federal prendeu por envolvimento com o Comando Vermelho", disse.
O estado do Rio de Janeiro acumula sucessivos casos de afastamentos e prisões de governadores. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não definiu se o estado terá eleições diretas ou indiretas para a escolha do novo governador.
"O Rio não aguenta mais ter governo corrupto atrás de governo corrupto, ter governador preso, não aguenta mais esse descaso. É necessário virar uma chave", declarou Freixo. Atualmente, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, ocupa interinamente o cargo.
Crime organizado
Freixo também comentou o lançamento do livro Viver é Perigoso, publicado neste mês. Na obra, ele relata episódios de sua trajetória política e atuação no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. O ex-deputado citou a CPI das Milícias, presidida por ele em 2008 na Assembleia Legislativa fluminense, e falou sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018.
"Marielle não foi uma companheira de trabalho, foi uma companheira de vida. Foi uma das maiores amigas que tive na vida. Foi muito duro para mim o que fizeram com ela", afirmou. Freixo também declarou que era alvo de criminosos. "Eles queriam me matar, falaram isso em depoimento, o alvo era eu, mas mudaram por causa da segurança reforçada que tenho", contou.
Ao comentar a atuação do crime organizado, ele afirmou que o problema envolve a relação entre organizações criminosas e agentes públicos. "O crime organizado é um grande negócio, não existe fora do estado. No Rio de Janeiro, se falou muitos anos do estado paralelo. Na CPI das milícias, que presidi em 2008, a gente criou o conceito do estado leiloado. Você não tem dois estados, é um só. E dentro desse estado, o crime se estabelece e elege gente", disse.



