Mais de 250 detentos não retornam aos presídios após saidinha de Natal no Rio
Quatro presos classificados como de alta periculosidade estão entre os beneficiados que descumpriram o retorno previsto
247 - Mais de 250 presos que deixaram unidades prisionais do Rio de Janeiro durante a saída temporária de Natal não retornaram aos presídios na data estabelecida, reacendendo o debate sobre os critérios e os riscos do benefício concedido a detentos do regime semiaberto. Entre os foragidos estão quatro criminosos classificados pelas autoridades como de alta ou altíssima periculosidade, com histórico de liderança no tráfico de drogas e envolvimento em crimes armados.
As informações foram publicadas pelo jornal O Globo, com base em dados da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Ao todo, 1.868 internos receberam autorização para a chamada Visita Periódica ao Lar (VPL) no período natalino, mas 258 não regressaram aos presídios até o prazo final, em 30 de dezembro.
Um dos casos que mais chamam atenção é o de Tiago Vinicius Vieira, conhecido como Dourado. Preso pela Polícia Federal em dezembro de 2018, ele é acusado de chefiar grandes assaltos e de atuar no tráfico de drogas e armas. Classificado pela Seap como de “altíssima periculosidade”, Tiago estava no sistema prisional havia sete anos e não retornou após a saída temporária. Segundo a ficha criminal, ele é apontado como integrante do Terceiro Comando Puro (TCP), facção com atuação no Mato Grosso do Sul.
Na ocasião de sua prisão, realizada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro, Tiago negociava drogas sintéticas e estava foragido de uma penitenciária de segurança máxima de Campo Grande (MS). Mesmo com esse histórico, ele foi incluído na lista de beneficiados da saidinha de Natal.
Além dele, outros três traficantes considerados igualmente perigosos também descumpriram a determinação de retorno. Todos são ligados ao Comando Vermelho (CV): André Luiz de Almeida, conhecido como Nestor do Tuiuti; Márcio Aurélio Martinez Martelo, o Bolado, da Fallet; e Sérgio Luiz Rodrigues Ferreira, chamado de Salgueiro ou Problema. Eles ocupam posições de liderança no Morro do Tuiuti, na Zona Norte do Rio, no Fallet, em Santa Teresa, e na favela da Lagoa, em Magé.
Dos 258 presos que não voltaram às unidades prisionais, 150 são integrantes do Comando Vermelho. Outros 39 pertencem ao TCP, 23 à facção Amigos dos Amigos (ADA) e 46 se declararam neutros, sem vínculo formal com organizações criminosas. Considerando esses grupos, as evasões foram distribuídas da seguinte forma: 58,1% do CV, 17,8% de presos neutros, 15,1% do TCP e 8,9% da ADA.
Os dados também mostram que, entre os presos ligados ao Comando Vermelho, 346 obtiveram autorização para a Visita Periódica ao Lar no Natal, o que representa 47,45% do total de beneficiados da facção. O número indica um crescimento de 7% em relação ao ano anterior.
Na relação de autorizados a deixar os presídios durante o período natalino havia ainda 21 policiais e 23 milicianos. Nesse grupo específico, segundo a Seap, todos retornaram às unidades prisionais dentro do prazo estabelecido.
A legislação brasileira prevê o direito à saída temporária para presos do regime semiaberto que tenham cumprido ao menos um sexto da pena, no caso de condenados primários, ou um quarto, no caso de reincidentes. Além do tempo mínimo de cumprimento da pena, o benefício está condicionado à avaliação de bom comportamento do detento, critério que, se descumprido, pode resultar na perda do direito à saidinha.



