Minas Gerais vira desafio estratégico para Flávio Bolsonaro nas eleições
Cenário político em Minas Gerais complica planos de Flávio Bolsonaro, que enfrenta divisões na direita e incertezas sobre alianças no estado-chave
247 - O cenário político de Minas Gerais tem se consolidado como um dos principais obstáculos para o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), segundo avaliações de aliados do centrão. Considerado decisivo para o resultado nacional, o estado apresenta múltiplas dificuldades para o senador, que ainda não conseguiu estruturar um palanque competitivo e enfrenta impasses sobre alianças estratégicas, relata a Folha de São Paulo.
Nenhuma das alternativas em análise é considerada ideal dentro do grupo político de Flávio Bolsonaro. O apoio ao atual governador Matheus Simões (PSD) gera desconfiança por conta do desempenho pouco expressivo nas pesquisas. Já o senador Cleitinho (Republicanos), que desponta como favorito, é visto por parte do PL como uma liderança inconsistente. A possibilidade de lançar candidatura própria também é tratada com cautela, sendo considerada uma aposta de alto risco.
Uma das movimentações em curso envolve a tentativa de atrair o ex-governador Romeu Zema (Novo) para compor como vice na chapa presidencial. Caso a articulação avance, Flávio Bolsonaro poderia ser levado a apoiar a reeleição de Simões em Minas. No entanto, essa estratégia também enfrenta entraves, especialmente após a filiação do senador Carlos Viana ao PSD, o que aumentou a disputa interna por vagas ao Senado.
Dentro do PL, a avaliação é que a entrada de Viana torna o cenário ainda mais congestionado, já que ele busca a reeleição e parte com vantagem. Isso dificultaria a acomodação de outros nomes, como o deputado Domingos Sávio (PL) e Marcelo Aro (PP), ambos cotados para a disputa. Nesse contexto, Simões teria de escolher apenas um dos aliados, o que amplia tensões políticas.
Apesar das divergências, apoiar Cleitinho é visto por alguns setores como a alternativa eleitoralmente mais viável no momento. Ainda assim, aliados próximos de Flávio Bolsonaro, como o deputado Nikolas Ferreira (PL), resistem à ideia. A avaliação interna é de que Cleitinho não mantém alinhamento consistente com o bolsonarismo e poderia, no futuro, se tornar um adversário dentro do próprio campo da direita.
O histórico recente do senador do Republicanos reforça essa desconfiança. Em outubro do ano passado, Cleitinho causou atrito com o PL ao afirmar que sua dívida política com Jair Bolsonaro (PL) estaria quitada. Na ocasião, declarou: “Se eu achar que não tenho os mesmos pensamentos que esse candidato que o Bolsonaro apoiar, eu não preciso apoiar, não. Tenho gratidão com o Bolsonaro. Não é com a família dele, com os apoiadores, não. É com ele. Uma gratidão que eu também já paguei e pago apoiando e votando nele em 2022”. Após a repercussão negativa, ele pediu desculpas.
Outro ponto de preocupação dentro do partido é o risco de desgaste político caso um eventual governo de Cleitinho enfrente dificuldades. Integrantes do PL avaliam que Minas Gerais, com uma dívida de cerca de R$ 187 bilhões com o governo federal, representa um cenário delicado que poderia impactar negativamente o bolsonarismo.
Além disso, mesmo sem apoio formal de Flávio Bolsonaro, Cleitinho é considerado competitivo. O temor é que sua candidatura divida o eleitorado da direita e favoreça o crescimento do senador Rodrigo Pacheco (PSB), que deve disputar o governo com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Diante das incertezas, o PL trabalha com a possibilidade de lançar candidatura própria ao governo mineiro. O nome cogitado é o de Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que se filiou ao partido recentemente. Já a segunda vaga ao Senado permanece em aberto e pode ser utilizada como moeda de negociação em eventuais alianças com Cleitinho ou Simões.


