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Minas prevê venda da Copasa em operação de até R$ 10 bilhões

Governo mineiro deve definir em 2 de junho o investidor vencedor da oferta secundária de ações da Copasa

Estação de Tratamento de Água administrada pela Copasa (Foto: Divulgação/Copasa.)
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247 - Minas Gerais deve conhecer em 2 de junho o investidor vencedor da oferta secundária de ações da Copasa, em uma operação que pode movimentar até R$ 10,04 bilhões e representar uma das maiores transações do setor de saneamento em curso no mercado de capitais brasileiro, as informações são do Brazil Stock Guide.

A definição ocorrerá com o encerramento do processo de bookbuilding, etapa em que é formada a demanda dos investidores e fixado o preço final por ação. Segundo documentos oficiais protocolados em 20 de maio, o governo mineiro venderá sua participação na Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa, por meio de uma oferta secundária de ações ordinárias.

A oferta-base envolve 171,1 milhões de ações ordinárias, o equivalente a 45% do capital da companhia. Caso o lote adicional seja integralmente colocado no mercado, a venda poderá alcançar 190,2 milhões de ações, ou 50,03% da empresa. Na prática, esse percentual corresponde à totalidade da fatia em ações ordinárias hoje detida pelo governo de Minas Gerais.

Considerando o preço de fechamento de R$ 52,77 por ação em 19 de maio, a oferta-base somaria R$ 9,03 bilhões. Com a inclusão das ações adicionais, o valor bruto da transação poderia chegar a R$ 10,04 bilhões, de acordo com o prospecto preliminar.

O cronograma estabelece 2 de junho como a data central da operação. Nesse dia, está previsto o fim do bookbuilding, a fixação do preço por ação e a aprovação do valor pelo acionista vendedor. O anúncio de início da oferta e o prospecto definitivo devem ser divulgados em 3 de junho. A negociação das ações ofertadas está prevista para começar em 5 de junho, com liquidação marcada para 8 de junho.

A coordenação da operação está a cargo do BTG Pactual, na condição de coordenador líder, ao lado de Itaú BBA, Bank of America, Citi e UBS BB. A oferta também prevê esforços de colocação no exterior por meio de BTG Pactual US Capital, Itaú BBA Securities, BofA Securities, Citigroup Global Markets e UBS Securities.

A Copasa é considerada um dos ativos de saneamento mais relevantes ainda disponíveis no Brasil. Em 31 de março, a companhia e suas subsidiárias detinham concessões em 75% dos municípios mineiros, atendendo cerca de 12 milhões de pessoas com abastecimento de água. Desse total, aproximadamente 8,8 milhões também eram atendidas por serviços de esgotamento sanitário.

No mercado, Aegea e Sabesp vinham sendo citadas como possíveis interessadas no ativo. A imprensa local informou que a Equatorial ainda avalia se participará do processo após a saída da Sabesp, que era apontada como potencial parceira, segundo pessoas familiarizadas com a negociação. A Aegea também havia demonstrado interesse na Copasa.

A oferta será aberta a investidores de varejo e profissionais, com possibilidade de participação de um investidor de referência selecionado. A distribuição parcial será permitida, desde que sejam colocadas ao menos 114,1 milhões de ações. A operação poderá ser cancelada se a demanda não atingir esse patamar mínimo ou se o preço final ficar abaixo do valor mínimo aprovado pelo governo de Minas Gerais.

Questões relacionadas a dívida, estrutura de capital e eventuais impactos tarifários permanecem em segundo plano nesta etapa. O prospecto preliminar não apresenta estimativa de aumento de tarifas nem afirma que a Copasa possa ser usada como veículo de endividamento. O documento, no entanto, lista disponibilidade de financiamento, alavancagem, necessidade de investimentos e estrutura de capital entre os riscos relevantes para a companhia e para a oferta.

Para o governo de Minas Gerais, a operação representa um teste de apetite do mercado por um ativo regulado de grande porte. Para o setor de saneamento, a venda da participação na Copasa reúne escala, calendário definido, presença de bancos globais e potencial de superar R$ 10 bilhões em volume financeiro.

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