MP-RJ reabre investigação sobre rachadinha de Carlos Bolsonaro
Procuradoria rejeita arquivamento e envia caso a nova Promotoria para avaliar diligências sobre suposta devolução de salários no gabinete
247 - A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro decidiu retomar a investigação sobre a suposta prática de “rachadinha” no antigo gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio. O órgão rejeitou o arquivamento do caso e determinou o envio do procedimento a outra Promotoria, que avaliará a necessidade de novas diligências para apurar o possível envolvimento do ex-parlamentar no recolhimento de parte dos salários de assessores, informa a Folha de São Paulo.
A medida ocorre após a Justiça do Rio de Janeiro devolver a investigação ao Ministério Público estadual. O promotor Alexandre Graça havia apresentado denúncia contra ex-funcionários do gabinete, mas não incluiu Carlos Bolsonaro entre os acusados, ao concluir que não foram identificadas irregularidades na movimentação financeira do filho de Jair Bolsonaro (PL).
Em decisão proferida no último dia 9, o subprocurador-geral de Justiça de Atribuição Originária, Marcelo Pereira Marques, avaliou que o arquivamento em relação ao ex-vereador foi prematuro. Por isso, determinou o encaminhamento do caso a outra Promotoria para nova análise e eventual aprofundamento das investigações.
A apuração sobre Carlos foi encerrada sem a realização de diligências semelhantes às adotadas no caso do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na investigação envolvendo o parlamentar, posteriormente arquivada após a anulação de provas, foram analisadas transações imobiliárias e pagamentos de boletos de planos de saúde, elementos considerados centrais para a identificação de parte do suposto esquema de lavagem de dinheiro.
No caso de Carlos, o Ministério Público não examinou operações imobiliárias nem questionou operadoras de saúde sobre a quitação de boletos. A investigação apontou, contudo, que ele e o irmão apresentavam padrões distintos de movimentação financeira. O ex-vereador teria sacado quase 90% dos salários recebidos, enquanto o senador realizou poucas retiradas em espécie. Essa prática, segundo o relato, dificultaria a identificação de eventuais desvios, uma vez que Carlos dispunha de recursos em dinheiro para realizar transações.
Responsável pelo procedimento, o promotor Alexandre Graça afirmou que “as diligências que se fizeram necessárias foram realizadas”. Ele acrescentou que “o questionamento feito é fruto do desconhecimento da investigação”.
Procurada pela Folha de São Paulo, a defesa de Carlos Bolsonaro não se manifestou até a publicação da matéria. Em ocasião anterior, quando o arquivamento foi anunciado, o ex-vereador declarou receber a decisão com tranquilidade e demonstrou insatisfação com a denúncia apresentada contra integrantes de seu gabinete. À época, afirmou: “Confio em todos os meus funcionários e tenho absoluta certeza que todos os envolvidos demonstrarão a fragilidade da acusação e suas inocências”.


