Operação policial mira esquema interestadual de armas e drogas na Maré
Ação da Polícia Civil atinge núcleo logístico e financeiro do TCP no Rio, MG e ES e mira operadores sem antecedentes criminais
247 - A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a Operação Fim da Rota, com foco em um núcleo do Terceiro Comando Puro (TCP) envolvido no tráfico interestadual de drogas e armamentos, especialmente fuzis. A ofensiva ocorre na capital fluminense, em São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, além de ações simultâneas em Minas Gerais e no Espírito Santo, segundo informações publicadas pelo jornal O Globo.
A investigação é conduzida pela Delegacia de Combate aos Crimes Organizados e Lavagem de Dinheiro (Dcoc-LD) e tem como alvo integrantes que atuavam de forma considerada “invisível” pelas autoridades. Diferentemente de operações tradicionais, que se concentram em suspeitos já conhecidos das forças de segurança, a apuração identificou pessoas sem passagens pela polícia ou anotações criminais, que levavam rotina aparentemente regular e residiam fora de comunidades dominadas por facções.
As investigações apontam que o chefe do grupo coordenava as ações de dentro do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. A estrutura desarticulada funcionava de maneira hierarquizada, com divisão clara de tarefas e atuação integrada entre os três estados.
Segundo os investigadores, foram utilizadas técnicas avançadas de inteligência e análise financeira para mapear a engrenagem do esquema. As equipes rastrearam movimentações consideradas suspeitas, incluindo transações com criptoativos, uso de empresas de fachada e contas em nome de “laranjas”. O trabalho permitiu identificar facilitadores financeiros e proprietários formais de bens empregados para conferir aparência de legalidade aos recursos obtidos com o tráfico — pessoas que até então não constavam em registros policiais.
Ainda conforme a apuração, o operador central fazia a conexão entre fornecedores no Rio de Janeiro e distribuidores em outros estados. Para transportar fuzis do tipo AR-10 e grandes carregamentos de entorpecentes, o grupo utilizava fachada comercial, além de recrutar novos integrantes para fortalecer a cadeia logística.
O esquema também adotava estratégias para tentar escapar da fiscalização, como comunicação criptografada e veículos adaptados com compartimentos ocultos destinados a esconder armas e drogas. Na esfera financeira, predominavam transferências via Pix, depósitos em contas de pessoas físicas e jurídicas, utilização de empresas de fachada, prática de agiotagem e fracionamento de valores com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem ilícita dos recursos.
A operação conta com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (Dgpe), do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI) e de policiais civis de Minas Gerais e do Espírito Santo. As equipes cumprem, de forma simultânea, mandados de prisão e de busca e apreensão, buscando atingir tanto o braço armado quanto a estrutura financeira da facção criminosa.


