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PF prende por corrupção ex-assessor ligado a deputado do PL em São Paulo

Investigação aponta que ex-servidor da Alesp intermediava pagamento de propina a policiais civis para evitar investigações em departamentos especializados

Rodrigo Moraes e Antonio Carlos Ubaldo Júnior (Foto: Rodrigo Costa/Flickr/Alesp | Reprodução/TV Globo)

247 - A Polícia Federal prendeu João Ubaldo Júnior, ex-funcionário do gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), suspeito de participação em um esquema de corrupção envolvendo agentes da Polícia Civil paulista, informa o G1. Segundo as investigações, ele atuava como intermediário no pagamento de propinas destinadas a policiais para evitar que empresas investigadas fossem alvo de apurações em unidades especializadas da corporação. 

De acordo com a Polícia Federal, o esquema foi identificado no âmbito da Operação Bazaar, que investiga uma organização criminosa responsável por oferecer e efetuar pagamentos ilegais a policiais civis. O objetivo seria influenciar ou impedir investigações conduzidas por delegacias ligadas ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Segundo a corporação, o grupo passou a agir de forma sistemática ao “realizar promessas de pagamento e a efetuar pagamentos de vantagens indevidas a policiais civis de delegacias especializadas e distritais, que se incumbiram de investigações a respeito das empresas do grupo”.

Ubaldo trabalhou no gabinete de Rodrigo Moraes entre abril de 2023 e junho de 2024, ocupando o cargo de assistente parlamentar II. A investigação aponta que ele seria responsável por intermediar pagamentos ilícitos para agentes da Polícia Civil com o objetivo de garantir proteção a alvos de inquéritos policiais.

O caso também reforça uma sequência de episódios envolvendo ex-integrantes do gabinete do parlamentar. Ubaldo Júnior é o quarto ex-assessor ligado à equipe de Moraes a aparecer em investigações ou denúncias relacionadas a esquemas de corrupção. Outros dois antigos funcionários do gabinete também são citados em apurações que envolvem contratos da empresa municipal de turismo de São Paulo, a SPTuris.

Em nota, o gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes afirmou que os servidores mencionados nas investigações não fazem mais parte da equipe parlamentar. O comunicado ressalta ainda que não existe vínculo atual com os investigados. "O gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes esclarece que nenhum dos servidores mencionados integra atualmente a equipe parlamentar", informou a assessoria.

Sobre o caso específico investigado pela Operação Bazaar, a nota acrescenta que o ex-servidor citado atuou por um período limitado no gabinete e não mantém vínculo funcional com a estrutura parlamentar há cerca de dois anos. "O ex-servidor mencionado atuou por período limitado no gabinete, exercendo funções externas de natureza administrativa, não mantendo vínculo com a equipe parlamentar há cerca de dois anos", declarou.

O gabinete também afirmou que não possui relação com investigações envolvendo antigos colaboradores. "O gabinete ressalta que não possui qualquer relação com eventuais investigações envolvendo pessoas que, em algum momento passado, tenham prestado serviços ao gabinete, sobretudo quando não possuem mais vínculo funcional com a estrutura parlamentar", diz o comunicado.

A assessoria do deputado acrescentou que outros nomes citados em investigações também são ex-colaboradores de períodos distintos. "Quanto aos demais nomes citados, tratam-se igualmente de ex-colaboradores de períodos distintos, sem qualquer vínculo atual com o gabinete", afirmou.

O texto também ressalta que a escolha de assessores segue critérios administrativos e legais e que eventuais responsabilidades devem ser apuradas individualmente. "A escolha de colaboradores segue os critérios legais e administrativos aplicáveis à atividade parlamentar, sendo que eventual responsabilização por condutas pessoais deve ocorrer individualmente, no âmbito das investigações conduzidas pelas autoridades competentes", diz a nota.

Por fim, o deputado reiterou compromisso com a legalidade e transparência na administração pública. "O deputado Rodrigo Moraes reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o combate a qualquer prática irregular na administração pública, permanecendo à disposição para eventuais esclarecimentos", conclui o comunicado.

Rodrigo Moraes exerce atualmente o quarto mandato como deputado estadual em São Paulo. Advogado nascido em Itu, no interior paulista, ele foi eleito pela primeira vez em 2010 e reeleito nas eleições de 2014, 2018 e 2022. Moraes é filho do deputado federal Missionário José Olímpio (PL), ligado à Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada pelo apóstolo Valdemiro Santiago. O parlamentar é identificado como integrante do campo político alinhado a Jair Bolsonaro (PL) e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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