PT de Minas se divide entre aliança com centrão e candidatura própria
Com Pacheco fora e Kalil resistente, PT mineiro avalia alternativas para a disputa ao governo de Minas em 2026
247 - O PT avalia lançar candidatura própria em Minas Gerais após recuos do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e do pré-candidato ao governo Alexandre Kalil (PDT) e busca alternativas para a disputa ao Executivo do estado em 2026, em meio a divergências internas sobre lançar um nome da sigla ou construir uma aliança com partidos de centro para garantir um palanque ao presidente Lula (PT) no segundo maior colégio eleitoral do país, informa o jornal O Globo.
A indefinição ganhou força depois que Pacheco afastou de vez a possibilidade de disputar o governo mineiro. Ele era tratado como a principal aposta de Lula para a corrida estadual desde o ano passado. Em paralelo, Alexandre Kalil, do PDT, ex-prefeito de Belo Horizonte, também não demonstrou disposição para assumir a candidatura apoiada pelo presidente.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, esteve em Minas Gerais no último fim de semana para tratar do cenário eleitoral. Entre os encontros realizados, esteve uma reunião com Kalil, que voltou a indicar resistência à ideia de concorrer ao governo estadual pelo campo lulista.
Com a saída de Pacheco do tabuleiro e a falta de entusiasmo de Kalil, duas linhas passaram a disputar espaço dentro do PT mineiro. Uma delas defende que o partido continue buscando uma composição com nomes de centro. A outra, com mais força no diretório estadual, sustenta que a legenda deve apresentar candidatura própria.
Marília Campos articula aproximação com MDB
A alternativa de aliança com partidos de centro tem sido defendida pela ex-prefeita de Contagem Marília Campos, pré-candidata ao Senado. Ela tenta aproximar o PT do MDB em Minas, partido que tem como nome para o governo o ex-vereador Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Marília, que antes defendia as possibilidades de Pacheco e Kalil, passou a atuar para abrir diálogo entre Gabriel Azevedo e a direção nacional petista. O emedebista deve conversar nos próximos dias com Edinho Silva.
A movimentação, porém, enfrenta resistências no PT mineiro. Segundo petistas citados, o histórico de oposição de Gabriel Azevedo ao partido dificulta sua aceitação por parte de setores da legenda no estado.
Aliados do ex-vereador também avaliam os riscos e ganhos de uma aproximação com o PT neste momento. Uma eventual aliança poderia ampliar suas chances de chegar ao segundo turno, mas há quem veja como alternativa disputar sem se vincular ao partido, mesmo com menor competitividade, para preservar capital político visando à eleição municipal de 2028 em Belo Horizonte.
Na eleição municipal de 2024, Gabriel Azevedo recebeu 10,5% dos votos e terminou a disputa pela prefeitura da capital mineira em quarto lugar.
PT discute nomes próprios para o governo
Entre os setores mais influentes da direção estadual do PT, a defesa de uma candidatura própria tem ganhado força. Além de Marília Campos, são citados como possibilidades o deputado federal Reginaldo Lopes e a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, Sandra Goulart.
No caso de Sandra, um dos fatores apontados como favoráveis é o fato de ela não precisar abrir mão de uma disputa ao Legislativo. Esse cálculo pesa para nomes como Marília Campos e Reginaldo Lopes, que não demonstram entusiasmo em abandonar projetos eleitorais próprios para encabeçar uma chapa ao governo estadual.
Reginaldo Lopes afirmou defender a presença do PT na disputa, mas indicou que sua prioridade imediata é o Congresso. “Defendo candidatura própria, mas, a priori, quero terminar o processo de aprovação do fim da escala 6x1, proposta da qual fui autor. Depois penso nisso”, disse Lopes.
Além de Gabriel Azevedo, outros nomes externos ao PT aparecem nas conversas sobre uma possível aliança. Entre eles estão Josué Gomes, ex-presidente da Fiesp, e Jarbas Soares, ex-procurador-geral de Justiça, ambos do PSB.
Cenário segue indefinido também à direita
A indefinição em Minas não se restringe ao campo lulista. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, também ainda não definiu se terá candidatura própria ao governo estadual ou se apoiará um nome de outra legenda.
Atritos recentes entre Flávio Bolsonaro e Romeu Zema (Novo) dificultaram uma eventual composição em torno do governador Mateus Simões, do PSD, ex-vice de Zema. As divergências foram ampliadas após revelações do caso Master envolvendo o senador.
Com diferentes campos políticos ainda sem decisão consolidada, Minas Gerais se mantém como um dos principais focos de incerteza da eleição de 2026. Para o PT, o desafio imediato é resolver se apostará em um nome próprio ou se insistirá em uma aliança capaz de organizar um palanque competitivo para Lula no estado.



