Bolsonarista arranca microfone de vereadora após fala sobre áudio de Flávio Bolsonaro em Porto Alegre
Juliana de Souza, do PT, mencionava a ligação entre Flávio e Daniel Vorcaro quando foi surpreendida pelo vereador Mauro Pinheiro, do PP
247 - O PT de Porto Alegre e a bancada do partido na Câmara Municipal anunciaram que irão solicitar a punição do vereador Mauro Pinheiro (PP) após um episódio de tensão ocorrido durante sessão legislativa realizada na quarta-feira (13).
A confusão aconteceu enquanto a vereadora Juliana de Souza (PT), líder da bancada petista, fazia um aparte em resposta a críticas direcionadas à esquerda pela vereadora Nadia Gerhardt (PL). Durante sua fala, Juliana mencionou a gravação em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, chama o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de “meu irmão” e solicita recursos para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em meio ao discurso, Mauro Pinheiro retirou o microfone utilizado pela parlamentar. O episódio gerou tumulto no plenário e levou o presidente da Câmara de Porto Alegre, Moisés Barbosa (PSDB), a intervir imediatamente.
“Calma, calma. O que é isso, vereador Mauro? Tirar o microfone não”, afirmou o presidente da Casa durante a sessão. Após o ocorrido, a sessão precisou ser suspensa temporariamente devido à confusão entre os parlamentares.
Em nota pública, o PT classificou a atitude do vereador do PP como violência de gênero e informou que pretende acionar a Comissão de Ética da Câmara Municipal, além de pedir a abertura de investigação na Delegacia da Mulher. O partido também afirmou que avalia medidas judiciais para proteger Juliana de Souza e os demais integrantes da bancada.
“Vindo pelas costas, o vereador censurou manifestação regimental com violência, retirando o microfone pelo qual nossa vereadora se manifestava proferindo palavras misóginas e de baixo calão, incompatíveis com o decoro parlamentar e a democracia”, declarou o partido na nota.
Logo após o episódio, Juliana de Souza afirmou que pretende levar o caso adiante.
“Vou até às últimas consequências porque violência de gênero é crime no Brasil”, disse a vereadora.
Em resposta, Mauro Pinheiro divulgou um vídeo nas redes sociais em que afirmou que sua atitude ocorreu por questões relacionadas ao regimento interno da Câmara Municipal. Segundo ele, não havia previsão de aparte naquele momento da sessão.
No pronunciamento, o vereador destacou sua trajetória política e negou ter cometido violência de gênero ou desrespeitado a colega parlamentar.
“O debate legislativo exige respeito ao tempo de fala, ao momento adequado de manifestação e aos procedimentos previstos no regimento interno da Câmara”, afirmou.
Pinheiro também declarou que sempre defendeu o respeito entre os parlamentares e o debate público responsável.
“Meu compromisso segue sendo o mesmo: respeitar as pessoas, o debate legislativo, as instituições e defender o correto funcionamento da Câmara de Porto Alegre”, concluiu.



