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Aliados foram pegos de surpresa pela relação carnal entre Flávio e Vorcaro e estão atordoados

Revelação de contatos e negociações entre o senador e o banqueiro preso provocou crise no entorno bolsonarista e abalou articulações da direita para 2026

Flávio Bolsonaro, agente da PF, Daniel Vorcaro e, ao fundo, Congresso e Banco Master (Foto: Reprodução I Divulgação )
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247 – A divulgação de uma mensagem de voz em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede ao banqueiro Daniel Vorcaro a retomada do financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro mergulhou aliados do parlamentar em uma crise política inesperada. Segundo reportagem da Reuters, integrantes do Partido Liberal (PL) e auxiliares próximos do senador afirmam ter sido surpreendidos pela dimensão da relação entre os dois.

A revelação, publicada inicialmente pelo site The Intercept Brasil, expôs um vínculo que até então vinha sendo negado publicamente por Flávio Bolsonaro. O senador havia afirmado anteriormente não possuir qualquer ligação com Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, atualmente preso sob acusações relacionadas a fraudes financeiras e lavagem de dinheiro.

O impacto político foi imediato dentro do campo bolsonarista. Segundo interlocutores ouvidos pela Reuters, o ambiente entre aliados é de perplexidade e desorientação. A crise ganhou contornos ainda mais delicados porque, poucos dias antes, Flávio havia participado de um evento político usando uma camiseta com os dizeres “O Master é do Lula”, numa tentativa de associar o escândalo financeiro ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após a divulgação da gravação, porém, o senador mudou sua versão. Flávio admitiu ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024 e reconheceu que os dois mantinham conversas sobre o financiamento de um filme em inglês sobre Jair Bolsonaro, intitulado “Dark Horse”.

Em entrevista à GloboNews na noite de quinta-feira, Flávio tentou justificar o silêncio sobre a relação com o banqueiro. “Não queria esconder, mas era uma relação de confidencialidade”, afirmou. Segundo ele, existia um contrato de exclusividade envolvendo o financiamento da produção cinematográfica.

O senador também declarou que passou a cobrar Vorcaro devido ao atraso nos pagamentos acertados para o projeto. “Foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, afirmou.

A entrevista, contudo, ampliou o desconforto entre setores da direita. Flávio negou que recursos do projeto tenham sido usados para bancar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, mas admitiu que um advogado contratado para gerir os recursos do filme também atua na defesa do irmão.

Nos bastidores do PL, parlamentares se movimentaram para tentar reduzir os danos políticos. O deputado Alberto Fraga (PL-DF), vice-líder do partido na Câmara, disse à Reuters que Flávio teria cometido apenas um erro: não ter revelado antes a relação com Vorcaro. “Flávio cometeu um único erro ao não revelar seu relacionamento com Vorcaro antes”, declarou.

Apesar da tentativa de blindagem, lideranças da direita reagiram com dureza. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema classificou a revelação como “imperdoável” e afirmou nas redes sociais que o episódio representa “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.

Analistas políticos também avaliaram que o caso abriu uma fissura relevante no projeto eleitoral bolsonarista para 2026. Leonardo Barreto, da consultoria Think Policy, afirmou que a crise “envergonha aliados, gera desconfiança entre assessores e queima pontes com partes da direita”.

Já Andrei Roman, diretor da AtlasIntel, escreveu nas redes sociais que as chances de reeleição do presidente Lula “dispararam” após a revelação.

O mercado financeiro reagiu negativamente à notícia na quarta-feira, com queda da bolsa brasileira e desvalorização do real, refletindo apostas de operadores de que o episódio poderia comprometer as chances eleitorais de Flávio Bolsonaro. Parte das perdas, entretanto, foi recuperada no dia seguinte.

O caso também recolocou no centro do debate o filme “Dark Horse”, projeto em inglês sobre Jair Bolsonaro apoiado pela família Bolsonaro no ano passado. O ex-presidente atualmente cumpre pena de 27 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022 e está em prisão domiciliar por motivos de saúde.

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