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Reinaldo aposta na manutenção da candidatura de Flávio “mesmo na lama” e diz que bolsonarismo vê política como coisa de família

Jornalista afirma que escândalo envolvendo Vorcaro revela lógica familiar e financeira do clã Bolsonaro e aprofunda crise na extrema direita

Reinaldo aposta na manutenção da candidatura de Flávio “mesmo na lama” e diz que bolsonarismo vê política como coisa de família (Foto: Reproduçlão YouTube)
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247 – O jornalista Reinaldo Azevedo afirmou, em coluna publicada no portal Metrópoles, que o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse” expôs a lógica familiar e patrimonial do bolsonarismo, mas não deve alterar os planos do clã de manter o senador como candidato à Presidência da República em 2026.

No texto, Reinaldo sustenta que o caso provocou perplexidade até mesmo entre aliados da extrema direita, que teriam sido surpreendidos pelas negociações milionárias entre Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

“Huuummm… Por que há tantos medalhões da extrema direita, mesmo entre os mais fieis, furiosos com Flávio e Eduardo Bolsonaro?”, escreve o jornalista.

Segundo ele, os próprios bolsonaristas estariam indignados por terem sido mantidos à margem das articulações financeiras envolvendo o filme sobre Jair Bolsonaro.

“Era um assunto familiar”

Reinaldo Azevedo afirma que os Bolsonaro tratam a política como uma extensão dos interesses privados da família e não como um projeto coletivo da direita.

“Os Bolsonaros entendem a política e a direita — ou a extrema direita — como um assunto familiar, privado, que não obedece a injunções de terceiros”, escreveu.

Na avaliação do colunista, os aliados do bolsonarismo perceberam que jamais participarão efetivamente do núcleo de decisões do clã.

“Jamais estarão entre eles; jamais pertencerão ao círculo que realmente toma decisões”, afirmou.

O jornalista sustenta ainda que a definição da candidatura presidencial dentro do bolsonarismo está diretamente ligada ao controle político e financeiro da família.

“Entenderam agora por que o candidato é Flávio?”, questiona Reinaldo, acrescentando que “a primeira sucessão que se dá é a do mundo dos negócios”.

Escândalo do Master amplia crise

A coluna destaca que Flávio e Eduardo Bolsonaro acompanharam de perto o crescimento do escândalo envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, enquanto atuavam politicamente para jogar a crise no colo de adversários.

Segundo Reinaldo, os irmãos movimentaram “seus braços no Congresso Nacional, na mídia e nas redes” para associar o caso ao governo Lula, ao mesmo tempo em que negociavam recursos milionários com o banqueiro.

O jornalista lembra que o áudio revelado recentemente expôs uma negociação de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos.

Mas o caso ganhou contornos ainda mais graves após a produtora responsável pelo longa afirmar que não recebeu os recursos mencionados.

“Então volto a fazer a pergunta: cadê o dinheiro? Ela está mentindo?”, questiona Reinaldo.

Entrevista de Flávio agravou desgaste

Azevedo também criticou duramente a entrevista concedida por Flávio Bolsonaro à GloboNews, na qual o senador tentou justificar as negociações milionárias como uma relação privada protegida por cláusulas de confidencialidade.

“Flávio, destemido como a personagem da anedota de Millôr, dá mais um passo à beira do abismo”, escreveu.

Segundo o jornalista, a explicação do senador apenas aprofundou as suspeitas sobre o destino dos recursos e sobre a real finalidade do fundo criado nos Estados Unidos.

A coluna também menciona que o advogado responsável pela estrutura financeira do projeto seria próximo de Eduardo Bolsonaro e teria participado do processo migratório do ex-deputado nos EUA.

Crise interna na extrema direita

Na análise de Reinaldo, o episódio gerou uma ruptura silenciosa dentro do próprio campo bolsonarista, sobretudo entre lideranças que se consideravam parte do núcleo duro do movimento.

“O fato: Flávio e Eduardo traíram os ‘fortões’ da extrema direita”, escreveu.

O jornalista cita o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, como um dos mais contrariados com o fato de ter sido deixado fora das negociações.

“Até Valdemar foi traído”, ironizou.

Reinaldo também afirma que Michelle Bolsonaro segue sendo o nome preferido de parte do entorno bolsonarista, mas avalia que o clã continuará insistindo em Flávio por considerar que a sucessão política deve permanecer sob controle direto da família.

“Você jamais será um deles”

Na parte final da coluna, Reinaldo Azevedo sustenta que o bolsonarismo consolidou uma espécie de aristocracia familiar baseada em “familismo, truculência e amor pelo dinheiro”.

Segundo ele, mesmo os militantes mais radicais começam a perceber que jamais terão participação real nas decisões centrais do grupo político.

“É bom que a res que compõe o gado de que a ‘famiglia’ tanto se orgulha saiba: você jamais será um deles”, concluiu o jornalista.

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