Caso cão Orelha: homens são indiciados por coação em investigação em SC
Polícia aponta que advogado e empresários teriam ameaçado vigilante ligado ao caso do cão morto na Praia Brava
247 - A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou três adultos — um advogado e dois empresários — pelo crime de coação no âmbito da investigação sobre a morte do cão Orelha, mascote conhecido da Praia Brava, em Florianópolis. Segundo a corporação, os indiciados são pais e um tio dos adolescentes suspeitos de envolvimento nas agressões ao animal, ocorridas no início de janeiro. As identidades dos adultos não foram divulgadas. As informações foram apresentadas em coletiva de imprensa nesta terça-feira (27).
De acordo com a Polícia Civil, a coação teria sido praticada contra o vigilante de um condomínio que possuía uma fotografia considerada potencialmente relevante para o esclarecimento dos fatos. O crime de coação ocorre quando há ameaça ou agressão a pessoas ligadas a um processo judicial — como testemunhas, vítimas, advogados ou réus — com o objetivo de interferir no resultado. A corporação informou que o vigilante foi afastado de suas funções por meio de férias compulsórias, como medida de segurança pessoal.
Os delegados responsáveis explicaram que não houve autorização judicial para a apreensão de aparelhos eletrônicos dos adultos indiciados. Ainda assim, a investigação analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança da região. No inquérito específico que apura o crime de coação, 22 pessoas já foram ouvidas pela polícia.
Os adolescentes suspeitos de atacar o cão Orelha não tiveram nomes nem idades divulgados. A Polícia Civil destacou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina sigilo absoluto em procedimentos que envolvem menores de 18 anos.
A investigação aponta que as agressões contra Orelha ocorreram em 4 de janeiro, embora o caso só tenha sido comunicado oficialmente à Polícia Civil no dia 16 do mesmo mês. Não há imagens do momento exato do espancamento. Conforme a delegada Mardjoli Valcareggi, registros de outros episódios na mesma área e período, somados a depoimentos de testemunhas, permitiram esclarecer a dinâmica do crime e identificar os suspeitos.
O cão foi encontrado por moradores da região em estado grave, machucado e agonizando. Ele foi levado a uma clínica veterinária, mas, no dia 5 de janeiro, precisou passar por eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. Exames periciais confirmaram que Orelha sofreu golpes na cabeça com um objeto contundente, sem ponta ou lâmina. O instrumento utilizado não foi localizado.
Conhecido por frequentadores e moradores da Praia Brava, Orelha vivia solto na região e era cuidado por pessoas da comunidade. O aposentado Mário Rogério Prestes relatou sua ligação com os animais do local: “Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”.
A médica veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o cão, destacou o vínculo de Orelha com a rotina da região. “Orelha era ‘sinônimo de alegria’ e fazia parte de sua rotina com frequência”, afirmou ao G1. Segundo ela, o cachorro era dócil e brincalhão, chamando a atenção de turistas. “Cada vez que alguém falava com ele em tom mais fino ou fazia menção de fazer carinho, ele abaixava as orelhas, abanava o rabo e ia se deitando até ganhar carinho na barriga. Ele era muito amado. Até os turistas já o conheciam. Um cachorrinho de 10 anos… que mal faria a alguém?”, questionou.


