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Pai de adolescente investigado pela morte de Orelha cobra apuração rigorosa

Caso do cão Orelha mobiliza investigação policial, apreensão de celulares e debate sobre responsabilização de menores

Pai de adolescente investigado pela morte de Orelha cobra apuração rigorosa (Foto: Reprodução/TV Globo)

247 - A morte de Orelha, um cão comunitário conhecido e cuidado por moradores da Praia Brava, em Florianópolis, provocou comoção nacional e segue sob investigação da polícia catarinense. O animal foi encontrado gravemente ferido no início de janeiro e não resistiu, levantando suspeitas de agressão e possível envolvimento de adolescentes. O caso vem sendo acompanhado de perto pelas autoridades e ganhou novos desdobramentos com a oitiva de testemunhas e a análise de imagens de segurança, segundo reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo.

As investigações apontam para a participação de quatro adolescentes. Dois deles retornaram dos Estados Unidos na quinta-feira (29), após uma viagem escolar previamente programada. No desembarque, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão e recolheram os telefones celulares dos jovens. “Os celulares estão apreendidos, eles estão em posse da Polícia Científica, que está realizando a extração de todas as informações dos quatro aparelhos para ver se é encontrado mais algum elemento de informação”, afirmou Renan Balbino, delegado de Adolescentes em Conflito com a Lei.

A polícia esclarece que, por se tratar de menores de 18 anos, o Estatuto da Criança e do Adolescente impede a divulgação de nomes, imagens ou qualquer informação que permita a identificação dos suspeitos. 

O Fantástico ouviu o pai de um dos adolescentes investigados, que defendeu a apuração rigorosa e destacou a importância do devido processo legal. “A educação que eu e minha esposa damos para ele não foi de passar a mão na cabeça dele. Se ele fez alguma coisa e ficar provado, ele tem que responder. Mas tem que ser provado, porque até agora só foram acusações, acusações, acusações e não tem nada, não apresentaram absolutamente nada. A gente quer justiça tanto quanto as outras pessoas”, declarou.

O advogado Rodrigo Duarte da Silva, que representa duas das famílias envolvidas, também se manifestou e reforçou a expectativa por esclarecimentos. “Nós esperamos que os depoimentos sejam colhidos o quanto antes, que a verdade venha à tona e, a partir daí, todos os adolescentes que não têm culpa alguma no caso sejam publicamente inocentados e, se eventualmente algum deles tiver alguma parcela de contribuição com qualquer maus-tratos ou com qualquer pequeno delito de quiosque ou de caminhar nas ruas e etc., que eles sejam, sim, responsabilizados, mas na medida da sua culpabilidade, por óbvio”, afirmou.

Segundo a polícia, mais de 20 testemunhas já foram ouvidas e cerca de mil horas de imagens de câmeras de segurança da Praia Brava estão sendo analisadas. Apesar do grande volume de material, os investigadores admitem que não há registros diretos da agressão. Em diálogo com a equipe de reportagem, os delegados responsáveis esclareceram: “Até onde eu sei, deles com Orelha não, até porque se tivesse também facilitaria para a gente” e “não há imagem do momento exato da agressão, não”. Questionados sobre testemunhas presenciais, foram categóricos: “Do momento da agressão, não”.

De acordo com a polícia, o trabalho agora consiste em reunir indícios convergentes para reconstruir a cronologia dos fatos. “Nós temos um fecho de indícios convergentes que levaram aí essa suspeita de envolvimento de adolescentes. Esse é o nosso desafio investigativo: nós juntarmos ali as peças do quebra-cabeça para a gente conseguir esclarecer o que aconteceu”, explicou a delegada responsável pelo caso.

A apuração segue em andamento, com foco na análise técnica do material apreendido e na coleta de novos depoimentos, enquanto a morte de Orelha continua a mobilizar debates sobre maus-tratos a animais e responsabilização no âmbito juvenil.

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