Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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BRICS consolida NDB como o banco do Sul Global e reforça liderança de Dilma Rousseff até 2030

Reeleita até 2030, Dilma comanda expansão do banco dos BRICS, que já aprovou US$ 42,9 bilhões em projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável

BRICS consolida NDB como o banco do Sul Global e reforça liderança de Dilma Rousseff até 2030 (Foto: Divulgação / NDB)
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247 – O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira criada pelos países do BRICS, consolida sua posição como uma das principais ferramentas de financiamento do Sul Global em meio às transformações da economia mundial. Sob a liderança da ex-presidente Dilma Rousseff, reeleita por unanimidade para um novo mandato até 2030, o banco amplia sua atuação internacional, acelera financiamentos em moedas locais e fortalece projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países emergentes.

Criado em 2015 a partir do Acordo de Fortaleza, firmado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o banco nasceu com o objetivo de oferecer uma alternativa às instituições financeiras multilaterais tradicionais, dando voz às demandas e prioridades dos países em desenvolvimento. Segundo material institucional divulgado pelo NDB, a instituição foi concebida “por economias emergentes e para economias emergentes”, com foco na soberania nacional e sem impor condicionalidades políticas aos países que recebem financiamento.

A atuação da instituição ocorre em um contexto de fortalecimento do BRICS como polo geopolítico e econômico alternativo ao eixo financeiro dominado historicamente por Estados Unidos e Europa. Nos últimos anos, o bloco ampliou sua relevância global e passou a defender mudanças profundas na governança internacional, incluindo reformas no sistema financeiro global e maior uso de moedas locais no comércio e nos investimentos.

Dilma Rousseff amplia protagonismo internacional

A reeleição de Dilma Rousseff para a presidência do NDB foi aprovada unanimemente pelo Conselho de Governadores do banco em 19 de março de 2025. O novo mandato vai de julho de 2025 até julho de 2030. Dilma já havia sido eleita pela primeira vez em março de 2023.

A recondução da ex-presidente brasileira representa não apenas reconhecimento interno de sua gestão, mas também um sinal político relevante do fortalecimento do Brasil dentro do BRICS. Dilma assumiu o comando do banco em um período marcado por turbulências internacionais, sanções econômicas contra a Rússia, aumento dos juros globais e desaceleração econômica em diversas regiões do planeta.

Sob sua gestão, o NDB ampliou significativamente o volume de projetos aprovados e intensificou a estratégia de financiamento em moedas locais, uma das bandeiras centrais defendidas pelos países do BRICS para reduzir a dependência do dólar nas operações internacionais.

O banco destaca ainda que respeita “a soberania e a primazia das políticas domésticas” dos países-membros e que não impõe condicionalidades aos empréstimos concedidos. Essa diretriz diferencia o NDB de organismos tradicionais como o FMI e o Banco Mundial, frequentemente criticados por países em desenvolvimento devido às exigências de austeridade fiscal e reformas econômicas.

Banco já aprovou 140 projetos e US$ 42,9 bilhões

De acordo com o documento oficial, o NDB já aprovou 140 projetos de investimento, somando US$ 42,9 bilhões até o fim do primeiro trimestre de 2026.

As áreas prioritárias incluem:

  •  infraestrutura energética 
  •  transporte e logística 
  •  saneamento 
  •  proteção ambiental 
  •  infraestrutura social 
  •  infraestrutura digital 

O ano de 2025 marcou um recorde histórico para o banco. Foram aprovados 19 projetos, no valor total de US$ 3,2 bilhões — o maior número anual desde a criação da instituição.

Outro dado estratégico foi o avanço das operações privadas e do financiamento em moedas locais. Segundo o NDB, 46% dos projetos aprovados em 2025 foram financiados em moedas nacionais, reduzindo a exposição cambial dos países tomadores.

O banco também realizou operações inéditas fora da China utilizando yuan. Dois projetos brasileiros de infraestrutura receberam financiamento em moeda chinesa, reforçando a aproximação financeira entre Brasília e Pequim. Além disso, o NDB aprovou seu primeiro financiamento privado denominado em rupias indianas.

Expansão do BRICS fortalece papel do NDB

O fortalecimento institucional do NDB acompanha a expansão geopolítica do BRICS. O banco já conta com novos membros além dos fundadores e mantém aberta a adesão de outros países das Nações Unidas.

Essa arquitetura garante o protagonismo político das economias emergentes na condução estratégica do banco. Ao mesmo tempo, a ampliação da base de membros fortalece a capacidade financeira da instituição e aumenta sua influência internacional.

Nos últimos anos, o BRICS passou a defender de forma mais explícita a construção de uma ordem multipolar. O NDB tornou-se um instrumento central desse processo ao oferecer linhas de crédito voltadas para infraestrutura, sustentabilidade e integração econômica sem submissão às estruturas tradicionais do sistema financeiro ocidental.

Rússia mantém presença estratégica

Mesmo sob sanções econômicas impostas pelo Ocidente desde o início da guerra na Ucrânia, a Rússia segue desempenhando papel importante dentro do NDB. O banco informa que já aprovou 15 projetos no país, incluindo um empréstimo emergencial relacionado à pandemia de Covid-19, totalizando US$ 4,5 bilhões em operações aprovadas.

O NDB mantém ainda um Centro Regional Eurasiano em Moscou, responsável pela interlocução com autoridades russas e parceiros estratégicos.

A manutenção das atividades na Rússia evidencia o esforço do BRICS para preservar mecanismos próprios de cooperação financeira mesmo diante das tensões geopolíticas globais.

Banco amplia credibilidade internacional

Apesar do cenário econômico global desafiador, o NDB preserva classificações de risco elevadas nas principais agências internacionais. O banco possui:

  •  AA+ pela S&P 
  •  AA pela Fitch 
  •  AAA pela JCR 
  •  AAA pela China Chengxin Credit Rating 

Recentemente, a Fitch revisou a perspectiva do banco de estável para positiva, mantendo a nota AA.

Segundo o documento, a estratégia financeira do NDB busca diversificar captações em diferentes mercados, moedas e prazos, ao mesmo tempo em que prioriza o financiamento em moedas locais.

O NDB em números

Estratégia 2027–2031 mira desenvolvimento sustentável e integração do Sul Global

O banco já prepara sua nova Estratégia Geral para o período 2027–2031. O plano deverá aprofundar o papel do NDB como plataforma de cooperação entre países emergentes e ampliar sua atuação como centro de intercâmbio tecnológico e compartilhamento de conhecimento.

Entre as prioridades estratégicas estão:

  •  crescimento econômico sustentável 
  •  inclusão social 
  •  infraestrutura verde 
  •  cooperação tecnológica 
  •  desenvolvimento digital 
  •  integração do Sul Global 

O documento afirma que o banco pretende se tornar “uma plataforma líder para intercâmbio de conhecimento, disseminação tecnológica e cooperação para o desenvolvimento”.

Em um cenário de crescente disputa geopolítica e de questionamento sobre a hegemonia financeira tradicional, o NDB surge cada vez mais como um dos pilares centrais da arquitetura econômica multipolar defendida pelos países do BRICS.

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