Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Índia pode ultrapassar o Japão e virar a 4ª maior economia do mundo em 2026, diz estudo russo

Relatório aponta crescimento sustentado por consumo interno, investimentos em infraestrutura e programas como Make in India

Primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (Foto: REUTERS/Stelios Misinas/File photo)

247 – A Índia tem potencial para superar o Japão em Produto Interno Bruto (PIB) nominal e alcançar, já em 2026, a posição de quarta maior economia do mundo, segundo um estudo elaborado pela Academia de Ciências da Rússia. A projeção sugere que a economia indiana poderá consolidar um salto importante no ranking global caso mantenha o ritmo atual de expansão.

As informações foram publicadas pela Sputnik Brasil, que destacou a expectativa de crescimento sustentado por fatores internos, como consumo urbano em alta e investimentos do Estado em infraestrutura, combinados a políticas estratégicas voltadas à industrialização e modernização tecnológica.

Crescimento apoiado em consumo e infraestrutura

De acordo com o estudo, o avanço da Índia seria impulsionado por uma forte demanda interna, com destaque para o aumento do consumo nas áreas urbanas e para os investimentos públicos direcionados à modernização do país. O relatório aponta que a economia pode registrar uma expansão anual entre 6,5% e 7%, o que reforçaria a trajetória de consolidação da Índia como uma potência econômica emergente.

O texto também vincula essa perspectiva aos grandes programas nacionais em curso, citando iniciativas como Make in India, Digital India e PM Gati Shakti, apontadas como alavancas centrais para o crescimento. Essas políticas procuram combinar ampliação da capacidade industrial, digitalização da economia e melhoria logística, com foco em produtividade e integração de cadeias produtivas.

Juventude e mercado interno como vantagem competitiva

Outro fator destacado é o perfil demográfico do país. Segundo o estudo, 66% da população indiana tem menos de 39 anos, dado que reforça a capacidade do país de sustentar um mercado interno robusto e amplo ao longo das próximas décadas.

Esse componente demográfico é apresentado como uma vantagem estratégica: além de favorecer consumo e dinamismo econômico, permite a formação de uma base de trabalhadores e consumidores numerosa, em contraste com economias mais envelhecidas que enfrentam limitações de crescimento e desafios previdenciários.

Desafios estruturais podem limitar o salto

Apesar do cenário otimista, o relatório não ignora entraves considerados decisivos para que a Índia transforme potencial em liderança econômica consolidada. Entre os principais obstáculos, especialistas citados no estudo apontam:

  •  Infraestrutura de transporte insuficiente
  •  Excesso de mão de obra e desemprego oculto
  •  Baixa rentabilidade do setor agrícola

Esses gargalos estruturais podem funcionar como freios ao ritmo de expansão, sobretudo caso o crescimento não seja acompanhado por melhorias de produtividade, formalização do emprego e modernização de áreas que ainda concentram grande parte da população, como a agricultura.

Uma disputa simbólica no novo mapa econômico global

Caso a projeção se confirme, a ultrapassagem do Japão terá peso não apenas numérico, mas também simbólico. A Índia reforçaria seu papel no redesenho da economia global, com maior protagonismo no Sul Global e maior influência nos debates internacionais sobre desenvolvimento, indústria e tecnologia.

O estudo indica que o país está em trajetória de ascensão sustentada, mas ressalta que a consolidação desse novo patamar dependerá da capacidade de enfrentar limitações históricas e garantir que o crescimento se traduza em produtividade, infraestrutura eficiente e oportunidades de emprego mais robustas.

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