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Ano cultural China-Brasil impulsiona intercâmbio e aproxima povos

Iniciativas culturais, artísticas e acadêmicas ampliam cooperação e fortalecem laços entre China e Brasil em 2026

Museu Nacional iluminado com o espetáculo de luzes do Ano Novo Chinês, em Brasília (Foto: Xinhua/Lucio Tavora)

247 - O Ano Cultural China-Brasil vem intensificando o intercâmbio cultural, artístico e acadêmico entre os dois países em 2026, com iniciativas que aproximam sociedades e ampliam o conhecimento mútuo, consolidando uma agenda bilateral voltada à cooperação cultural. As informações foram divulgadas pela agência Xinhua, em reportagem de Chen Yao, Zhao Yan e Zhou Yongsui.

Desde o início do ano, uma série de atividades tem sido realizada em cidades chinesas e brasileiras, como a exibição do filme brasileiro “A Amazônia: Uma floresta na tela” em Pequim e um “flash mob” de cultura chinesa em São Paulo, que levou música e manifestações tradicionais às ruas durante o Ano Novo Lunar.

Nos primeiros meses de 2026, o programa já demonstrou forte dinamismo, refletindo a decisão dos líderes dos dois países de instituir o Ano Cultural China-Brasil como estratégia para aprofundar os laços culturais e ampliar a compreensão entre as populações. O presidente chinês, Xi Jinping, destacou anteriormente que as culturas de China e Brasil são diversas, complementares e capazes de gerar atração mútua.

Intercâmbio literário amplia compreensão cultural

Uma das frentes mais ativas dessa aproximação é o diálogo literário. Em janeiro, encontros realizados em Pequim e outras cidades reuniram escritores, tradutores e pesquisadores dos dois países no evento “Entre o Espelho e a Lâmpada: Diálogo da Literatura Contemporânea Sino-Brasileira”.

A circulação de obras também tem ganhado força. Clássicos chineses como “Analectos” de Confúcio e “Tao Te Ching”, além de títulos literários como “Grito”, de Lu Xun, e “O Camelo Xiangzi”, de Lao She, vêm sendo traduzidos e publicados no Brasil, ampliando o acesso do público brasileiro à cultura chinesa.

Nesse contexto, o professor Evandro Menezes de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense (UFF), tem desempenhado papel relevante. Reconhecido com o Prêmio da Amizade do Governo chinês, ele defende a valorização da diversidade cultural em um cenário global marcado por tensões. Segundo ele, a Iniciativa de Civilização Global proposta por Xi Jinping “oferece uma alternativa ao paradigma da confrontação e reafirma a importância do respeito mútuo, da coexistência pacífica e do diálogo intercultural como base para uma ordem internacional mais estável e equitativa”.

Carvalho também ressaltou a importância desse modelo para países em desenvolvimento: “para os países do Sul Global, como o Brasil, essa abordagem é particularmente relevante, pois abre espaço para que nossas próprias experiências civilizatórias sejam reconhecidas, valorizadas e integradas ao debate global sobre desenvolvimento e governança”.

Audiovisual e televisão ampliam conexão entre sociedades

O intercâmbio cultural entre China e Brasil também se destaca no campo audiovisual. A novela brasileira “A Escrava Isaura”, exibida na China na década de 1980, tornou-se um marco dessa relação, alcançando grande audiência e impacto cultural.

A atriz Lucélia Santos, protagonista da obra, relembrou o reconhecimento internacional da produção. “As palavras do presidente Xi Jinping me fazem sentir imensamente honrada e grata. Nunca imaginei que uma telenovela pudesse se tornar um elo cultural entre a China e o Brasil, o que me faz acreditar ainda mais que a arte pode transcender fronteiras”, afirmou.

Ao longo das últimas décadas, o intercâmbio audiovisual evoluiu de uma via única para uma troca mais equilibrada. Em 2022, a plataforma “China Zone” foi lançada no Brasil, ampliando o acesso a conteúdos chineses com legendas em português. Já em 2024, produções como “O Problema dos Três Corpos” e “Nirvana em Chamas” passaram a integrar a programação televisiva brasileira.

Durante reunião ministerial do Fórum China-CELAC, em 2025, Xi Jinping propôs a ampliação dessa cooperação, incluindo a tradução anual de produções audiovisuais e a exibição de conteúdos chineses na América Latina.

Lucélia Santos destacou ainda o papel das novelas como ferramenta de aproximação cultural: “as telenovelas são um meio popular de conhecer a economia e a sociedade de um país”.

Música e juventude reforçam laços entre as nações

A música também tem desempenhado papel importante na consolidação dessa relação. A Orquestra Forte de Copacabana, formada majoritariamente por jovens de baixa renda, tornou-se um símbolo dessa integração cultural.

A diretora artística Márcia Melchior ressaltou a importância do reconhecimento internacional recebido pelo grupo: “um incentivo como esse é uma grande honra para a nossa banda”. Ela acrescentou que a iniciativa busca formar novas gerações comprometidas com o intercâmbio cultural: “pois elas representam o futuro promissor da amizade entre a China e o Brasil”.

O grupo, que enfrentou dificuldades financeiras e chegou a correr risco de encerrar suas atividades, foi revitalizado em 2022 após receber apoio de uma empresa chinesa. Desde então, passou a realizar apresentações regulares no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, incluindo canções em chinês que têm despertado interesse do público.

Em 2024, a orquestra participou de uma turnê pela China em comemoração aos 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países. Melchior destacou a experiência: “cada apresentação foi um intercâmbio espiritual, um passo importante rumo à amizade e à compreensão. O entusiasmo do público chinês nos comoveu e confirmou que a música é uma linguagem sem fronteiras”.

Com novos projetos em andamento, incluindo parcerias com instituições chinesas, a iniciativa reforça o papel da cultura como ponte entre sociedades e evidencia o potencial de continuidade da cooperação entre China e Brasil nas próximas gerações.

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