Após ameaçar Delcy, Rubio diz que é do interesse da Venezuela cooperar com os EUA
Secretário de Estado diz no Senado que Washington não pretende acionar uma nova ação militar contra o país sul-americano
247 - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira que a cooperação com Washington está alinhada aos interesses da Venezuela e declarou que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende nem espera adotar medidas militares no país sul-americano. As informações são do jornal O Globo.
As declarações foram feitas durante uma audiência no Senado americano, na qual Rubio apresentou explicações sobre a recente atuação dos EUA em Caracas e os próximos passos da política externa para a região. Segundo o secretário, embora Donald Trump “nunca descarte suas opções”, a posição oficial é de que não há expectativa de uso da força militar contra a Venezuela em nenhum momento.
Declarações de Rubio no Senado dos EUA
Durante a audiência, Rubio comentou um trecho do documento divulgado pelo Departamento de Estado que afirma que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, atualmente à frente de um processo gradual de mudanças em Caracas, “conhece muito bem o destino de [Nicolás] Maduro”.
A afirmação sugere que a dirigente tem consciência de que a cooperação com os Estados Unidos é considerada fundamental para a estabilidade política do país, além de fazer referência ao sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças militares estadunidenses.
Questionado por senadores sobre as medidas para conter a atuação de “atores malignos” na Venezuela, o secretário de Estado reiterou que o alinhamento com Washington atende aos interesses venezuelanos. Segundo ele, os Estados Unidos podem ser um “parceiro muito melhor” para um futuro governo e até mesmo para as atuais autoridades do que alguns dos aliados com os quais o país mantém relações.
As declarações ocorrem em meio a relatórios de inteligência americanos que apontam dúvidas sobre a disposição de Delcy em cooperar plenamente com a estratégia da administração Trump.
Cooperação e interesses estratégicos da Venezuela
Rubio afirmou que “não é do interesse da Venezuela ter uma presença iraniana” nem a “venda de armamento iraniano para o país”. Na avaliação do secretário, parcerias desse tipo não contribuem para a estabilidade e o desenvolvimento do país sul-americano. Ele também descreveu a convivência passada com determinados “elementos criminosos” como um “pacto com o diabo”, que, segundo suas palavras, resultou em “verdadeira desestabilização” ao longo do tempo.
Influência estrangeira e relações internacionais
Fontes ouvidas pela agência Reuters afirmaram que não está claro se a dirigente concorda integralmente com a política dos Estados Unidos para a Venezuela ou se estaria disposta a romper laços com aliados como Irã, China e Rússia, considerados adversários estratégicos de Washington. Representantes desses países estiveram presentes na cerimônia de posse da nova liderança em Caracas.
Operação em Caracas e prisão de Maduro
Ex-senador republicano, Rubio compareceu ao Senado após semanas de críticas de parlamentares democratas, que acusaram o governo Trump de enganar o Congresso e extrapolar sua autoridade ao empregar força militar. Em 3 de janeiro, militares estadunidenses entraram em Caracas e sequestraram Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados a Nova York para responder a acusações de tráfico de drogas nos Estados Unidos, crimes que ambos negam. Maduro havia sido indiciado pelo Departamento de Justiça dos EUA por acusações que incluem narcoterrorismo. Washington afirma não reconhecê-lo como chefe de Estado.
Debate sobre uso da força e legalidade da ação
No depoimento, Rubio rejeitou a interpretação de que a ação dos Estados Unidos na Venezuela se enquadre como um ato de guerra nos termos constitucionais, o que exigiria autorização do Congresso. Para o secretário, a duração de apenas algumas horas reforça o argumento do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que se tratou de uma “operação de aplicação da lei”, e não de um conflito militar formal.


