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Coluna de fumaça e explosões assustam Caracas; sul da capital fica sem energia

Barulhos intensos e aeronaves foram ouvidos perto de base militar, e vídeos nas redes mostram múltiplas detonações; causa ainda é desconhecida

Explosões em Caracas (Foto: Reuters)

247 – Uma sequência de explosões, acompanhada de uma coluna de fumaça e de barulhos intensos, foi registrada nas primeiras horas da manhã deste sábado (3) em Caracas, capital da Venezuela. Testemunhas ouvidas pela Reuters relataram ter escutado ruídos fortes e percebido a presença de aeronaves, enquanto a energia elétrica ficou interrompida na região sul da cidade, próxima a uma importante base militar.

Ainda não há confirmação oficial sobre o que provocou os distúrbios, nem sobre os pontos exatos onde ocorreram as explosões. A agência informou que circulam nas redes sociais vídeos mostrando múltiplas detonações em diferentes áreas de Caracas, mas que, até o momento, não foi possível verificar de forma independente a autenticidade das imagens.

Relatos de madrugada e cenário de incerteza

Segundo testemunhas citadas pela Reuters, os episódios ocorreram durante a madrugada, quando um grande clarão e uma coluna de fumaça passaram a ser visíveis no céu. Ao mesmo tempo, moradores ouviram “barulhos altos” e relataram sons que sugeriam movimentação aérea sobre a capital.

O apagão no sul de Caracas, nas proximidades de uma base militar relevante, ampliou a apreensão e alimentou especulações. Porém, a Reuters ressaltou que a causa e as localizações precisas dos acontecimentos permaneciam indefinidas nas primeiras horas após o registro das explosões.

Pressão dos EUA sobre Maduro e escalada na região

O episódio ocorre em um contexto de forte tensão geopolítica envolvendo Washington e Caracas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem reiterado promessas de realizar operações terrestres em território venezuelano, segundo a Reuters. A agência afirma que Trump não detalhou publicamente seus objetivos, mas teria pressionado, em caráter privado, o presidente Nicolás Maduro a deixar o país.

Na última segunda-feira, Trump afirmou que seria “inteligente” Maduro abandonar o poder, de acordo com a Reuters. O Pentágono, por sua vez, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre os acontecimentos registrados na capital venezuelana.

Reforço militar e ações anunciadas por Trump

A Reuters também apontou que os Estados Unidos intensificaram sua presença militar na região, incluindo o envio de um porta-aviões, navios de guerra e a instalação de caças avançados no Caribe. Paralelamente, Trump anunciou medidas que classificou como uma “bloqueio” do petróleo venezuelano e ampliou sanções contra o país.

Além disso, o governo dos EUA realizou mais de duas dezenas de ataques contra embarcações que, segundo Washington, estariam envolvidas com tráfico de drogas no Oceano Pacífico e no Mar do Caribe. Trump acusou a Venezuela de “inundar” os Estados Unidos com drogas, enquanto o governo Maduro nega qualquer envolvimento com o tráfico.

Operações em território venezuelano e denúncias internacionais

Na semana passada, Trump declarou que os Estados Unidos haviam “atingido” uma área na Venezuela onde barcos seriam carregados com drogas, no que a Reuters descreveu como a primeira vez conhecida em que Washington conduziu operações terrestres no país desde o início da campanha de pressão.

O presidente norte-americano não esclareceu se essas ações foram conduzidas pela CIA. Outros veículos, segundo a Reuters, relataram que a agência de inteligência estaria por trás das operações.

As ações militares atribuídas aos EUA vêm sendo alvo de críticas internacionais. Diversos países condenaram os ataques, classificando-os como execuções extrajudiciais, enquanto Caracas segue negando as acusações de narcotráfico e denunciando o que considera uma escalada agressiva contra a soberania venezuelana.

O que se sabe até agora

Até o momento, não há confirmação sobre vítimas, danos estruturais ou o real alcance das explosões. A falta de informações oficiais e a circulação de vídeos não verificados aumentam a incerteza e devem intensificar a pressão por esclarecimentos das autoridades venezuelanas nas próximas horas.

Os acontecimentos desta madrugada, somados ao histórico recente de tensão regional e às declarações do presidente Donald Trump, ampliam o grau de alerta em Caracas e levantam novas preocupações sobre o risco de uma escalada mais ampla no conflito político e militar envolvendo a Venezuela.

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