Delcy condena agressão de Trump, mas defende cooperação econômica com os Estados Unidos
Presidenta afirmou que o país está disposto a firmar relações energéticas em que “todas as partes estejam beneficiadas”
247 – A presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, condenou a agressão do governo Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos — contra o território venezuelano, mas afirmou que isso não impede a manutenção de relações econômicas e comerciais entre os dois países. Segundo ela, a ofensiva que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores criou uma “mancha” inédita na história dos vínculos bilaterais. As declarações foram publicadas pela teleSUR, que acompanhou o pronunciamento feito durante um encontro com a diretiva da Assembleia Nacional e autoridades do governo.
Delcy destacou que o episódio marca uma ruptura histórica na dimensão política e diplomática, mas procurou diferenciar esse cenário do fato de que o comércio entre Venezuela e EUA não é um elemento extraordinário. Em sua fala, ela buscou reforçar que acordos econômicos podem existir mesmo diante de tensões graves, desde que os interesses nacionais venezuelanos sejam preservados.
“O primeiro que devo dizer é que há uma mancha em nossas relações que nunca havia ocorrido em nossa história, mas também é preciso destacar que não é extraordinário nem irregular as relações, por exemplo, econômicas, comerciais entre os EUA e a Venezuela”, declarou Delcy Rodríguez.
“Não vamos nos render”
Em tom firme, a presidenta encarregada afirmou que a Venezuela não se curvará a nenhum tipo de agressão, incluindo as pressões econômicas, e reforçou que Caracas seguirá resistindo a ataques de qualquer natureza. Ela também disse que o país está disposto a negociar e cooperar com todas as nações do mundo, sem exceções.
“Não nos rendemos diante da agressão econômica e não vamos nos render diante de nenhum tipo de agressão”, afirmou.
Ao insistir na disposição de manter canais de diálogo e cooperação internacional, Delcy buscou projetar a imagem de um país sob ataque, mas que mantém suas portas abertas para parcerias comerciais e diplomáticas.
“Nossas mãos estão estendidas para todos os países do mundo, para relacionamento, para cooperação econômica, para cooperação comercial, para cooperação energética”, sublinhou.
Cooperação energética com contratos “bem determinados”
Delcy afirmou que a Venezuela está aberta à cooperação energética, mas condicionou qualquer avanço ao estabelecimento de relações claras, com contratos que definam as obrigações e benefícios de cada parte. Segundo ela, esse tipo de acordo precisa garantir vantagens mútuas e regras bem estabelecidas.
A dirigente afirmou que o país está disposto a firmar relações energéticas em que “todas as partes estejam beneficiadas”, desde que a cooperação econômica seja “muito bem determinada em contratos comerciais”.
Ataque, sequestro e nova escalada de tensão
De acordo com a teleSUR, no fim de semana anterior ao pronunciamento, os Estados Unidos teriam lançado um ataque contra território venezuelano, operação que terminou com o sequestro de Nicolás Maduro e de Cilia Flores, ambos levados para Nova York.
Segundo a reportagem, o governo venezuelano classificou a ação como uma “gravíssima agressão militar” e declarou que o verdadeiro objetivo de Washington seria se apoderar do petróleo e de recursos estratégicos do país.
Estratégia política: denúncia e pragmatismo
A fala de Delcy Rodríguez combina denúncia e pragmatismo. Ao mesmo tempo em que condena a agressão de Trump e aponta uma ruptura histórica na relação bilateral, ela também afirma que não é “irregular” manter vínculos comerciais e econômicos com os Estados Unidos.
A mensagem indica que a Venezuela pretende resistir politicamente, mas manter abertos caminhos para negociações econômicas e energéticas, sobretudo com países dispostos a cooperação em bases contratuais claras e vantajosas para Caracas. A crise, no entanto, amplia a instabilidade regional e tende a provocar repercussões internacionais, sobretudo diante da gravidade das acusações envolvendo ataque militar e sequestro de autoridades venezuelanas.



