Trump diz que quer visitar a Venezuela e espera Delcy Rodríguez nos EUA
Presidente dos EUA afirma que há “progresso” em negociações sobre petróleo, minerais, comércio e segurança após telefonema com líder interina venezuelana
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende visitar a Venezuela e que espera receber em território norte-americano a líder venezuelana Delcy Rodríguez, a quem se referiu como interlocutora com quem “está se dando bem” no atual processo de negociação entre os dois países.
A informação foi divulgada pela agência russa TASS, com base em declarações de Trump em entrevista à Reuters, em meio a um cenário de forte escalada de tensões e reconfiguração do poder político em Caracas nas últimas semanas.
Na entrevista, Trump disse que a visita de Rodríguez aos EUA não ocorreria “ainda”, mas apontou que vê a ida como inevitável e que, posteriormente, pretende viajar à Venezuela. “Acho que ela vai vir, sabe, eventualmente ela vai… não exatamente ainda, mas eventualmente ela virá e eu irei ao país dela também”, afirmou.
O presidente norte-americano também elogiou a condução do diálogo por parte da venezuelana. “Ela tem sido muito boa de lidar”, declarou.
Telefonema e pauta: petróleo, minerais, comércio e “segurança nacional”
Mais cedo, Trump publicou em sua rede social, a Truth Social, que teve uma conversa “muito boa” com Rodríguez e afirmou que os dois discutiram uma agenda ampla, incluindo energia e segurança. “Estamos fazendo um progresso tremendo, enquanto ajudamos a Venezuela a se estabilizar e se recuperar. Muitos temas foram discutidos, incluindo petróleo, minerais, comércio e, claro, segurança nacional”, escreveu.
Do lado venezuelano, Rodríguez também descreveu o contato como positivo, indicando disposição para tratar de uma “agenda de trabalho bilateral” e de pendências entre os governos — ainda que, nas últimas semanas, tenha criticado duramente a atuação dos EUA no país.
Contexto de crise: ataques, acusações judiciais e disputa sobre legitimidade
As declarações de Trump ocorrem em um contexto marcado por uma operação militar norte-americana e por disputas sobre a legitimidade do comando político em Caracas. Segundo o relato atribuído às agências, Rodríguez passou a atuar como chefe de Estado de fato em meio aos desdobramentos recentes.
O texto informa ainda que, no início de janeiro, os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra alvos civis e militares na Venezuela e que Trump teria dito que o objetivo era capturar Maduro e sua esposa, Cilia Flores; na sequência, ambos teriam comparecido a um tribunal federal em Nova York e se declarado inocentes.
Nesse mesmo pano de fundo, Trump também afirmou que Washington “administraria” a Venezuela provisoriamente, ampliando a controvérsia internacional sobre soberania, intervenção e os rumos do país.
Sinalizações políticas e impacto regional
Ao dizer que pretende ir à Venezuela e receber Rodríguez nos EUA, Trump sinaliza que, apesar da escalada militar e do endurecimento judicial contra o antigo comando em Caracas, Washington busca construir uma mesa de negociação com a nova autoridade venezuelana, com foco explícito em energia, recursos minerais, comércio e segurança.
A referência direta a petróleo e minerais indica que a Casa Branca pretende colocar no centro das conversas tanto o redesenho do fluxo energético quanto o acesso a matérias-primas estratégicas, em um momento de competição geopolítica global por cadeias de suprimento.
Já a ênfase em “segurança nacional” sugere que os EUA tentam enquadrar o tema venezuelano como parte de um pacote maior de políticas de fronteira, segurança regional e presença internacional, o que pode pressionar países vizinhos e reabrir debates sobre a legitimidade de intervenções e tutela externa.
Próximos passos
Não foram detalhados prazos para as possíveis visitas nem o formato das negociações. Ainda assim, as declarações de Trump reforçam que Washington pretende avançar rapidamente com conversas diretas com Delcy Rodríguez, enquanto a Venezuela segue sob forte instabilidade política e repercussão internacional dos acontecimentos recentes.


