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Brasil anuncia compra de mais 20 caças Gripen

Brasil anuncia compra de mais 20 caças Gripen para ampliar frota da FAB e reforçar a defesa aérea nacional

Brasil anuncia compra de mais 20 caças Gripen (Foto: Divulgação/Saab)
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247 - O Brasil anunciou nesta quinta-feira (4) a intenção de adquirir até 20 novos caças Saab Gripen E, ampliando a frota do modelo escolhido em 2013 para renovar a aviação de combate da FAB (Força Aérea Brasileira), em um movimento que ocorre apesar do forte aperto orçamentário no Ministério da Defesa, informa a Folha de São Paulo.

A decisão surpreendeu integrantes ligados ao programa, porque a Defesa foi a pasta mais afetada pelo bloqueio de gastos anunciado na semana passada, com perda de R$ 4,36 bilhões no orçamento deste ano. Caso a compra seja efetivada, o total de aeronaves Gripen encomendadas pelo país desde o contrato original de 2014 poderá chegar a 56 unidades.

O anúncio foi feito em meio à visita do ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, à Suécia. Ao lado do ministro sueco da Defesa, Pal Jonson, Mucio afirmou que ainda não há um cronograma definido para a nova aquisição. “Em Defesa, tudo é demorado”, disse o ministro brasileiro.

A intenção inicial da FAB, quando estruturou o programa de renovação de seus caças no fim dos anos 1990, era chegar a 120 aeronaves avançadas. O processo, no entanto, avançou de forma mais limitada. Em 2013, o Brasil selecionou 36 caças Gripen, com contrato assinado no ano seguinte.

Em 2022, o então comandante da Aeronáutica, Carlos Almeida Baptista Junior, afirmou que desejava ao menos mais 30 aviões. Desde então, foi negociada uma operação vinculada entre Brasil e Suécia: o Brasil receberia mais 14 Gripen, enquanto os suecos comprariam quatro aviões de transporte Embraer C-390.

Até agora, a Suécia já anunciou a aquisição dos C-390. O Brasil, por sua vez, ainda não definiu o formato da compra dos novos caças. Segundo Jonson, os aviões previstos serão do modelo Gripen E, versão monoposto, destinada a um piloto.

Uma das possibilidades discutidas era fazer a ampliação por meio de um aditivo ao contrato original de 2014. O acordo atual é avaliado em R$ 29,5 bilhões. Pela legislação, o acréscimo máximo permitido seria de 25%, o equivalente a R$ 7,3 bilhões, com financiamento diluído ao longo dos anos. Ainda não há confirmação de que esse modelo será adotado.

O tema é considerado sensível no campo político e orçamentário, especialmente em ano de eleição presidencial. A dificuldade de justificar gastos elevados com defesa já esteve no centro de adiamentos anteriores, como na licitação de 2001 e na postergação do processo que só foi concluído em 2014.

O programa atual já consumiu 57% do orçamento previsto até março, mas entregou 11 dos 36 aviões contratados para operação. Até 2025, houve 12 aditivos ao contrato. De acordo com a FAB, essas mudanças elevaram o custo em valor equivalente a mais seis aeronaves.

A execução do programa, no entanto, é considerada uma das melhores entre os projetos das Forças Armadas. Neste ano, a dotação autorizada para o Gripen é de R$ 1,36 bilhão.

Outro fator que pesa no custo e no ritmo das entregas é o desenvolvimento dos modelos Gripen E e Gripen F, versão de dois lugares. As aeronaves são substancialmente diferentes da geração anterior do caça e envolveram um programa amplo de transferência de tecnologia. Com a maturação do projeto e o avanço da linha de produção, a tendência é que a fabricação se torne mais rápida e menos onerosa.

No Brasil, a produção ocorre em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, onde há três unidades em construção. A linha brasileira também será responsável por 15 modelos Gripen E encomendados pela Colômbia. Os dois caças Gripen F pedidos pelo país vizinho serão fabricados em Linköping, na Suécia.

Mucio afirmou que “os talvez 20 Gripen” deverão ser fabricados no Brasil, o que exigiria expansão da capacidade produtiva nacional. A Saab já havia indicado que essa ampliação poderia ocorrer diante do aumento da demanda global pelo Gripen. Na semana passada, a Ucrânia encomendou 20 aeronaves do modelo, embora o foco da linha brasileira siga voltado à América Latina.

O anúncio brasileiro não mencionou o pedido dos militares por ao menos 12 caças Gripen C/D, versões mais antigas que poderiam suprir a perda de capacidade de ataque ao solo prevista com a aposentadoria dos aviões AMX, programada para 2027.

A possibilidade de o Brasil obter caças C/D suecos ficou mais distante porque o acordo entre Suécia e Ucrânia prevê a doação de 16 dos 96 aviões desse tipo operados pelos suecos ao país em guerra com a Rússia. Uma transferência semelhante ao Brasil poderia reduzir a capacidade de defesa da própria Suécia.

Os ministros também confirmaram que a Saab abrirá um novo centro de pesquisa e desenvolvimento em São José dos Campos, no interior de São Paulo. A cidade é sede histórica da Embraer, principal parceira dos suecos na produção do Gripen E no Brasil. O primeiro caça fabricado no país ficou pronto em março.

A visita de Mucio à Suécia também teve como objetivo acompanhar o lançamento do Gripen F, fruto da cooperação entre Saab e Embraer. A aeronave levou cinco anos para ser produzida em Linköping com participação de brasileiros e foi apresentada na terça-feira (2). A FAB deverá receber oito unidades dessa versão.

“Esses são resultados claros e diretos da cooperação”, afirmou o ministro sueco Pal Jonson. Ele também informou que o primeiro Embraer C-390 da Força Aérea da Suécia deverá chegar em 2028.

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