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BNDES acelera incentivos aos biocombustíveis em 2026

Banco amplia apoio ao setor em meio à expansão do mercado e aposta em novos mecanismos de financiamento para impulsionar inovação e descarbonização

Biodiesel (Foto: Reuters )

247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) intensificou o ritmo de incentivos aos biocombustíveis em 2026, ampliando o apoio ao setor em meio a um cenário de crescimento do mercado e diversificação dos instrumentos de financiamento voltados à inovação e à descarbonização.

De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, o banco já aprovou R$ 1,6 bilhão em financiamentos apenas nos dois primeiros meses do ano, sinalizando continuidade no ciclo de investimentos iniciado em 2025, quando o volume total alcançou R$ 6,4 bilhões, recorde histórico para o segmento.

O avanço é atribuído principalmente à expansão do etanol de milho, que tem impulsionado novos projetos e atraído recursos. Segundo José Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, o cenário atual reflete um momento favorável da economia. “O mercado vive momento de expansão, a partir do etanol de milho, principalmente. Não é à toa que estamos batendo recorde de apoio ao setor. O BNDES é um grande termômetro de investimento na economia”, afirmou.

Entre os principais instrumentos de financiamento está o Fundo Clima, cuja previsão de recursos para 2026 chega a R$ 27 bilhões, mais que o dobro dos R$ 12 bilhões registrados no ano anterior. A linha oferece juros de 6,5% ao ano e prazo de amortização de até 192 meses, sendo considerada estratégica para viabilizar projetos de longo prazo no setor energético.

Além do Fundo Clima, o banco tem buscado alternativas para ampliar a captação e o direcionamento de recursos. Uma das iniciativas é a criação de Fundos de Investimento em Participações (FIPs), voltados especialmente para startups e empresas de base tecnológica. Em parceria com a Petrobras e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), foi estruturado um fundo de R$ 500 milhões no modelo de Corporate Venture Capital (CVC), destinado a projetos de transição energética e redução de emissões.

A proposta é investir em participações minoritárias em negócios inovadores. A gestora Valetec foi selecionada para administrar o fundo, que deve escolher até dois projetos entre 15 candidatos ainda em 2026.

Para a Petrobras, o movimento representa uma oportunidade de avançar em tecnologias emergentes. “A gente quer consolidar o CVC como instrumento estratégico de pesquisa e desenvolvimento, complementando as parcerias tecnológicas tradicionais”, declarou Luiza Contursi, gerente de Integração de Portfólio e Novas Tecnologias da companhia. Ela acrescentou: “A ideia é atuar em projetos na fronteira tecnológica, fazendo um trabalho direcionado. Essa é uma tendência das petrolíferas”.

Outro eixo de atuação envolve o desenvolvimento de soluções para biorrefino, incluindo o combustível sustentável de aviação (SAF). Nesse caso, Petrobras e Finep lançaram edital para selecionar projetos que integrem universidades, centros de pesquisa, empresas e startups em busca de novas tecnologias.

Apesar do avanço, especialistas apontam desafios no modelo de financiamento. Na avaliação do Instituto E+, o crescimento recente tem sido sustentado por uma estrutura de risco desequilibrada, na qual o setor público assume papel predominante, especialmente em projetos inovadores.

Segundo Rosana Santos, diretora executiva da entidade, o cenário se torna mais crítico nas tecnologias emergentes. “Esse desequilíbrio fica mais evidente nas novas fronteiras tecnológicas. Projetos como o SAF e o hidrogênio de baixo carbono enfrentam o chamado vale da morte financeiro. O capital privado, sobretudo em um ambiente de juros elevados, tende a ser mais seletivo e avesso ao risco tecnológico, o que mantém o peso da inovação concentrado no setor público, especialmente via BNDES e Finep”, explicou.

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