Brasil e Arábia Saudita aprofundam parceria estratégica em minerais críticos
Ministro Alexandre Silveira destaca avanços regulatórios, potencial geológico e diálogo para ampliar investimentos e cooperação bilateral no setor mineral
247 - O Brasil e a Arábia Saudita avançaram no fortalecimento da cooperação estratégica no setor mineral, com foco em minerais críticos e na atração de investimentos de longo prazo. Em agenda oficial em Riad, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reuniu-se com o ministro saudita da Indústria e Recursos Minerais, Bandar Al-Khorayef, para ampliar o diálogo bilateral e discutir iniciativas conjuntas capazes de impulsionar projetos estratégicos.
Durante o encontro, Alexandre Silveira apresentou os principais avanços institucionais do setor mineral brasileiro, com ênfase no fortalecimento da governança e da regulação da atividade.
Um dos pontos centrais da apresentação foi o papel do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), instância que reúne 18 ministérios e atua no assessoramento direto ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na formulação das políticas do setor. Segundo o ministro, o conselho tem sido decisivo para aprimorar o licenciamento ambiental, reduzir entraves burocráticos e reforçar a coordenação institucional, criando um ambiente mais previsível e seguro para investidores.
“Mesmo sendo uma federação composta por diferentes estados, o Brasil tem avançado na unificação de linguagem regulatória e institucional, sempre preservando princípios fundamentais como a estabilidade legal, regulatória e política, além da segurança jurídica necessária para investimentos de longo prazo”, afirmou Silveira.
No campo dos investimentos, o ministro destacou a atuação das empresas brasileiras de mineração e os esforços do governo para destravar projetos estratégicos de minério de ferro de alta redução e de cobre. As iniciativas têm como foco principalmente os estados do Pará e de Minas Gerais, com o objetivo de ampliar a competitividade do país no mercado internacional.
Alexandre Silveira também ressaltou o elevado potencial geológico brasileiro. Apenas cerca de 30% do subsolo nacional está mapeado, mas, mesmo assim, o país já ocupa posição de destaque global, sendo a segunda maior reserva mundial de terras raras e a sétima maior reserva de urânio. Esse cenário, segundo o ministro, reforça o interesse do governo em ampliar parcerias internacionais nos próximos anos.
Nesse contexto, Silveira manifestou interesse em receber no Brasil representantes da Manara Minerals, fundo saudita que é sócio da Vale S.A. na Vale Base Metals, unidade responsável pela produção de cobre e níquel — minerais considerados críticos e estratégicos para a transição energética. O objetivo é avaliar oportunidades de ampliação de investimentos em projetos minerais considerados prioritários.
Como encaminhamento prático da reunião, Brasil e Arábia Saudita acordaram a criação de um grupo de trabalho bilateral, com reuniões regulares, inclusive em formato virtual, para estudar iniciativas conjuntas e dar maior eficiência à cooperação entre os dois países no setor mineral.
O ministro brasileiro também enfatizou a importância de investimentos sauditas na cadeia de transformação mineral instalada no Brasil. Segundo ele, agregar valor à produção nacional é fundamental para estimular a industrialização, gerar empregos e promover o desenvolvimento tecnológico. Silveira observou que, em um cenário global em que os minerais críticos assumem papel estratégico comparável ao do petróleo, a integração entre mineração, indústria e energia torna-se cada vez mais relevante.
Ao final do encontro, Alexandre Silveira solicitou apoio do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) para projetos voltados ao mapeamento do potencial mineral brasileiro. A ampliação do conhecimento geológico, segundo o ministro, é um passo essencial para criar bases sólidas que sustentem novos investimentos estruturantes no setor mineral do país.


