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Ala do PL avalia riscos à campanha após Michelle detonar Flávio Bolsonaro em vídeo

Aliados avaliam que conflito pode afastar eleitorado feminino da candidatura do senador

Michelle Bolsonaro e senador Flávio Bolsonaro (Foto: Michelle Bolsonaro/Reprodução/Redes Sociais Flávio Bolsonaro/Mateus Bonomi/Reuters)
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247 - O vídeo divulgado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no qual relata de forma explícita desentendimentos com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), provocou reações divergentes entre integrantes do Partido Liberal (PL). Segundo o jornal O Globo, parte dos aliados acredita que a exposição pública do conflito poderá prejudicar a pré-campanha presidencial do senador, especialmente na disputa pelo eleitorado feminino.

Nos bastidores da legenda, lideranças avaliam que Michelle representa um dos principais ativos políticos do grupo entre mulheres evangélicas e dirigentes do PL Mulher. Embora tenha reafirmado apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, a repercussão do episódio aumentou as incertezas sobre sua participação na campanha e os possíveis efeitos eleitorais da crise.

Apoio de Michelle é considerado estratégico

Reservadamente, integrantes da campanha afirmam que um eventual afastamento da ex-primeira-dama poderia enfraquecer a estratégia de aproximação de Flávio com um segmento considerado decisivo para a eleição. Um aliado ouvido pela reportagem resumiu a preocupação ao afirmar que essa é uma fatia do eleitorado que o senador "não podia perder de jeito nenhum".

Apesar da apreensão, a direção nacional do PL busca reduzir a dimensão do episódio. O líder do partido na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), demonstrou confiança de que a legenda conseguirá superar o impasse. "Normal, o partido é maior do que indivíduos", minimizou

O parlamentar reconheceu, entretanto, que a exposição pública do conflito foi prejudicial. "Não é normal que assuntos internos sejam expostos em redes sociais. Mas tenho plena confiança que o partido saberá conduzir com equilíbrio os próximos passos."

Aliados admitem risco de desgaste

Nem todos compartilham da avaliação da direção partidária. O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) afirmou que o episódio pode afetar a imagem de Flávio Bolsonaro, sobretudo entre o público feminino.

"Isso é prejudicial, é ruim, mancha uma imagem. Porque quando você pega a fala da Michelle dizendo que o Flávio foi desrespeitoso com ela, isso tudo gera para as mulheres que assistem um pouco de resistência ao Flávio. E a gente sabe que o presidente Bolsonaro já tinha essa dificuldade com o público feminino, justamente por ser um cara mais ríspido. Agora acontece uma situação dessas. Fica muito ruim para o Flávio essa imagem", disse o parlamentar bolsonarista. 

"Parece criança brigando no colégio e levando essa briga para as redes sociais. Falta maturidade emocional, falta maturidade política. Eu admiro muito a dona Michelle, mas também entendo que ela sofre muitos ataques. Chega uma hora que a pessoa cansa", completou.

Há, porém, outra leitura dentro do bolsonarismo. Interlocutores da pré-campanha avaliam que Michelle também reforça seu peso político ao tornar pública a divergência, evidenciando sua influência nas decisões estratégicas do grupo.

Damares defende postura da ex-primeira-dama

Aliados de Michelle destacam que ela encerrou o vídeo reafirmando apoio à candidatura presidencial de Flávio. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) elogiou a forma como a ex-primeira-dama conduziu o episódio. "Na hora certa e do jeito certo. Com clareza e maturidade", afirmou.

Nos bastidores, também há preocupação com a situação de Jair Bolsonaro (PL). Integrantes do grupo avaliam que o conflito coloca o ex-chefe do Executivo em posição delicada, já que envolve sua esposa e o filho escolhido para disputar a Presidência da República.

Michelle relata desrespeito de Flávio Bolsonaro

As reações foram motivadas pelo vídeo publicado por Michelle nas redes sociais nesta quarta-feira. Na gravação, ela afirmou que decidiu romper o silêncio após sucessivos ataques e relatou um episódio ocorrido depois de se posicionar contra uma possível aliança entre o PL e Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.

"Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. Eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política", destacou. Ela também disse ter sido “apunhalada” e humilhada pelo senador. 

Michelle afirmou que nunca mais voltou a procurar o enteado depois da conversa. Ainda assim, reiterou apoio à candidatura presidencial de Flávio e agradeceu às dirigentes estaduais e municipais do PL Mulher pelo trabalho em favor da pré-campanha.

A ex-primeira-dama também declarou que Flávio Bolsonaro, o ex-vereador Carlos Bolsonaro e o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro a criticaram de forma coordenada após sua manifestação contra uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), no Ceará. 

Michelle disse que chegou a pedir desculpas caso os enteados tenham se sentido ofendidos, mas manteve sua posição de que a aproximação com o ex-ministro é incompatível com os valores defendidos pelo bolsonarismo.

Crise amplia dúvidas sobre a campanha

O episódio teve origem no fim de 2025, quando Michelle passou a criticar publicamente as negociações do PL cearense para uma composição com Ciro Gomes. Na ocasião, Flávio Bolsonaro, Carlos e Eduardo defenderam a articulação. Dias depois, Flávio pediu desculpas à ex-primeira-dama e o partido suspendeu as negociações.

A preocupação dos aliados está diretamente ligada ao desafio da pré-campanha de Flávio de ampliar sua aceitação entre o eleitorado feminino. Dentro do PL, Michelle é considerada uma das principais lideranças capazes de reduzir essa resistência, graças à influência construída à frente do PL Mulher e à sua forte presença entre o eleitorado evangélico.

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