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Ala do STF vê articulação entre Moraes e Alcolumbre para que o Senado rejeitasse Messias

O entendimento circulou entre membros da Corte após a derrota no plenário do Senado. Entendimento dos magistrados também têm relação com o caso Master

Supremo Tribunal Federal (Foto: Antonio Augusto/STF)

247 - A leitura de que houve movimentação política nos bastidores para influenciar o resultado da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou força entre integrantes da Corte após a votação no Senado, que terminou em 42 votos contrários e 34 favoráveis. A avaliação envolve a atuação do ministro Alexandre de Moraes e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Segundo informações publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (30), ministros do STF identificaram sinais de articulação prévia para dificultar a aprovação do advogado-geral da União indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O entendimento circulou entre membros da Corte após a derrota no plenário do Senado.

De acordo com a reportagem, Alexandre de Moraes não pediu votos diretamente contra Messias, mas deixou clara sua posição crítica ao nome indicado por meio de interlocutores, que repassaram essa avaliação a senadores envolvidos na decisão.

Bastidores e disputas internas no STF

Auxiliares dos ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques interpretaram que a resistência de Moraes se relaciona com a possibilidade de um novo integrante reforçar um grupo interno da Corte. Esse cenário poderia alterar o equilíbrio de forças no STF, especialmente em torno de processos relevantes.

O caso envolvendo o Banco Master aparece como um dos pontos de tensão. O processo tem relatoria de André Mendonça e ganhou repercussão nacional em razão de conexões que envolvem o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Moraes. A advogada prestou serviços à instituição e negou qualquer irregularidade.

A investigação conduzida pela Polícia Federal apura um esquema de fraudes financeiras que, segundo os investigadores, movimentou pelo menos R$ 12 bilhões, o que ampliou o impacto político e jurídico do caso.

Relação com o Senado e articulação política

Interlocutores também associaram a aproximação entre Moraes e Alcolumbre a um movimento estratégico no campo político. A leitura indica que a relação pode envolver interesse em evitar avanços de pedidos de impeachment contra ministros do STF no Senado.

Encontros entre Moraes e Alcolumbre reforçaram essa percepção. Os dois se reuniram no dia 23, na residência do ministro Cristiano Zanin, e voltaram a se encontrar na terça-feira (28), véspera da sabatina de Messias.

Ainda conforme a Folha, pessoas próximas à tentativa de viabilizar a aprovação do chefe da AGU afirmaram que Moraes acompanhou de perto as articulações conduzidas por Alcolumbre no processo que resultou na rejeição da indicação.

O episódio amplia o debate sobre a interação entre Judiciário e Legislativo e evidencia o peso das articulações políticas na escolha de ministros para o Supremo Tribunal Federal.

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