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Ameaças de Eduardo Bolsonaro a diplomatas elevam tensão no Itamaraty

Negativa para coletiva bolsonarista gerou ataques e preocupação entre diplomatas caso o senador Flávio Bolsonaro vença as eleições

Itamaraty-Eduardo Bolsonaro (Foto: Eduardo Bolsonaro/REUTERS/Jessica Koscielniak- Itamaraty Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil )
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247 - As críticas e ameaças dirigidas ao Itamaraty por aliados da família Bolsonaro provocaram forte desconforto entre diplomatas brasileiros e elevaram a preocupação com o futuro da política externa do país em um eventual governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As informações são da coluna da jornalista Janaína Figueiredo, do UOL.  

A reação ocorreu após a Embaixada do Brasil em Washington negar um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para realizar uma entrevista coletiva em suas dependências durante a visita do senador aos Estados Unidos, onde ele se reuniu com o presidente Donald Trump na Casa Branca.

Em publicação nas redes sociais, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que o Itamaraty não conseguiria "sabotar o governo Bolsonaro 2.0" e prometeu "reformas profundas". No mesmo dia, o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo elevou o tom das críticas ao afirmar que a diplomacia brasileira passaria por sua maior transformação desde a fundação do órgão caso a direita retorne ao poder em 2027.

Segundo diplomatas ouvidos pela reportagem, as declarações foram recebidas como ameaças explícitas e ampliaram o clima de apreensão já existente entre servidores da carreira diplomática.

Negativa seguiu protocolo diplomático

De acordo com fontes diplomáticas, a solicitação para utilização da embaixada chegou ao gabinete da embaixadora Maria Luiza Viotti na noite de segunda-feira. O pedido solicitava apoio à visita de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, mas não apresentava elementos que caracterizassem uma missão oficial em nome do Estado brasileiro.

Diante da situação, a embaixada encaminhou a consulta ao Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. A orientação foi aguardar uma comunicação formal do Senado Federal, procedimento considerado padrão para que parlamentares utilizem instalações ou recebam apoio institucional das representações diplomáticas brasileiras. Como a comunicação oficial nunca foi enviada, a embaixada respondeu negativamente ao pedido na tarde de terça-feira.

Diplomatas destacam que o mesmo procedimento foi adotado em outras ocasiões, inclusive durante a visita de uma delegação de parlamentares brasileiros a Washington após as medidas tarifárias adotadas pelo governo Trump contra produtos brasileiros.

Embaixada recebeu ameaças

Após as manifestações públicas de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, a Embaixada do Brasil em Washington passou a receber mensagens ameaçadoras por correio eletrônico. Entre os conteúdos enviados, havia mensagens afirmando que "a fúria do nosso Senhor cairá sobre a embaixada". O episódio gerou preocupação adicional entre diplomatas e levou o tema a dominar discussões em grupos internos da carreira.

Embora integrantes da diplomacia considerem que a campanha de Flávio Bolsonaro sabia que o pedido encontraria obstáculos administrativos, o nível de agressividade das reações surpreendeu setores do Itamaraty.

PCC, CV e divergências com os EUA

O episódio ocorre em meio a outro tema sensível na relação entre Brasil e Estados Unidos: a decisão do governo estadunidense de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas.

Fontes diplomáticas afirmam que o governo brasileiro vinha mantendo conversas reservadas com o Departamento de Estado para explicar por que as facções não são classificadas como grupos terroristas pela legislação nacional.

Segundo essas avaliações, a alteração de status pode trazer efeitos negativos para mecanismos já existentes de cooperação policial entre os dois países. A preocupação envolve tanto questões operacionais quanto debates sobre soberania nacional e eventual atuação ampliada de órgãos norte-americanos em território brasileiro.

Entre diplomatas, existe a percepção de que a administração Trump já demonstrava disposição para adotar a medida e que a recente visita de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos pode ter contribuído para acelerar o processo.

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