André Mendonça já pode tomar medidas contra Flávio Bolsonaro após áudio-bomba
Gravação encontrada no celular de Daniel Vorcaro já está com o STF, a PGR e a defesa do banqueiro
247 – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), já possui acesso ao áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro para custear a produção do filme Dark Horse, inspirado em Jair Bolsonaro. A informação foi divulgada pela jornalista Vera Magalhães e amplia a pressão jurídica e política sobre o filho do ex-presidente.
Segundo a coluna, o áudio integra o material bruto extraído do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e já foi encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, além da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da defesa do banqueiro.
Áudio já integra investigação no STF
De acordo com Vera Magalhães, uma fonte com acesso às investigações confirmou tanto a existência quanto a autenticidade da gravação divulgada inicialmente pelo Intercept Brasil.
O conteúdo do áudio provocou forte impacto político após revelar Flávio Bolsonaro cobrando recursos para manter a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
Na gravação, o senador afirma que o projeto atravessava um momento crítico e demonstra preocupação com os atrasos nos pagamentos da equipe internacional do longa-metragem.
“Agora, na reta final, a gente não pode vacilar nem deixar de honrar os compromissos, porque senão podemos perder tudo”, afirma Flávio em um dos trechos divulgados.
A presença do material nos autos da investigação abre caminho para possíveis medidas judiciais e amplia o peso institucional do caso.
Flávio mudou discurso após revelação
Segundo a jornalista, o próprio Flávio Bolsonaro acabou confirmando a autenticidade do conteúdo após inicialmente negar as informações quando foi abordado pela reportagem do Intercept na saída do STF.
Na ocasião, o senador respondeu:
“De onde você tirou essa informação? É mentira”.
Horas depois, porém, Flávio divulgou uma nota oficial admitindo que buscava “patrocínio privado” para o filme sobre o pai.
“No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai”, afirmou.
QG de campanha entrou em crise
A coluna de Vera Magalhães afirma ainda que a nota divulgada por Flávio Bolsonaro foi resultado de uma série de reuniões e conversas emergenciais realizadas com integrantes do núcleo político e do QG de campanha do senador.
Segundo a jornalista, aliados ficaram “completamente atordoados” nas primeiras horas após a publicação da reportagem do Intercept.
O caso provocou forte repercussão dentro da direita e aprofundou divisões já existentes no campo bolsonarista.
Relação com Vorcaro volta ao centro do debate
A revelação também expôs de forma explícita a proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, relação que já vinha sendo comentada nos bastidores políticos de Brasília havia meses.
Segundo Vera Magalhães, o episódio ajuda a explicar a cautela adotada pelo senador em relação ao escândalo do Banco Master nos últimos meses.
As mensagens e áudios divulgados pelo Intercept indicam que Vorcaro teria negociado aportes de até 24 milhões de dólares — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para financiar o filme Dark Horse.
O escândalo passou a ser tratado como uma das maiores crises políticas enfrentadas pelo entorno bolsonarista desde o fim do governo Jair Bolsonaro e já produz impactos diretos na disputa presidencial de 2026.



