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Após o carnaval, governo acelera articulação no Congresso pelo fim da escala 6x1

Proposta que reduz jornada para 36 horas semanais volta ao centro do debate deve avançar na Câmara até maio

Brasília (DF), 15/11/2024 - Ato em defesa do fim da jornada 6x1, na Rodoviária do Plano Piloto (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

247 - Com a reabertura dos trabalhos legislativos após o carnaval, o governo federal intensificou as movimentações no Congresso Nacional para avançar com a proposta que extingue a escala 6x1, modelo que prevê seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso. A medida é tratada como prioridade pelo Palácio do Planalto e integra a estratégia política da base aliada para o primeiro semestre. As informações são da CNN Brasil.

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articulam para que a proposta de emenda à Constituição (PEC) seja aprovada ainda neste semestre e passe a figurar como uma das principais bandeiras da gestão em ano eleitoral. O texto está atualmente sob análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e aguarda a designação de um relator.

O presidente da CCJ, deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA), afirmou que pretende conduzir a tramitação ouvindo diversos setores envolvidos no debate. Segundo ele, serão consultados representantes da classe empresarial, sindicatos, trabalhadores e também “quem emprega”, antes que a proposta avance para as próximas etapas.

Apesar de contar com apelo popular, o tema é considerado sensível no Parlamento. Parlamentares da oposição têm apresentado ressalvas e defendem que qualquer alteração na jornada de trabalho leve em consideração os possíveis impactos econômicos para empregadores. Estudos e avaliações sobre efeitos como inflação e desemprego também passaram a integrar o debate público.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), classificou a discussão como “inadiável” e sinalizou que a tramitação na Casa pode ser concluída até maio. Antes de chegar ao plenário, no entanto, a PEC precisa ser aprovada na CCJ e ainda passar por uma comissão especial, que será criada especificamente para analisar o mérito da proposta.

Na mensagem enviada pelo Executivo ao Congresso na abertura do ano legislativo, o fim da escala 6x1 sem redução salarial foi apontado como uma das prioridades do governo. O texto defende a mudança ao afirmar: “Não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família”.

O debate sobre jornada de trabalho e repouso semanal remunerado reúne diferentes propostas em tramitação no Congresso. O tema ganhou força no ano passado após campanhas nas redes sociais que ampliaram a mobilização em torno da pauta.

Em 2025, a discussão avançou na Câmara após iniciativa da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que apresentou novo texto prevendo a redução do limite semanal de trabalho de 44 para 36 horas, além da possibilidade de jornada distribuída em quatro dias por semana. Por decisão da presidência da Casa, a proposta foi apensada à PEC do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), apresentada em 2019, que também prevê a redução da carga horária para 36 horas semanais.

Com a tramitação unificada, as duas propostas aguardam deliberação na CCJ. Uma reunião entre o presidente Lula e Hugo Motta para tratar especificamente do andamento da PEC estava prevista para ocorrer antes do carnaval, mas foi desmarcada. O encontro, contudo, ainda é aguardado para alinhar os próximos passos da articulação política em torno da matéria.

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