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Após parecer da PGR, Mendonça pode abrir investigação sobre Dark Horse e Flávio Bolsonaro

Parecer da PGR leva caso Dark Horse a Mendonça e desloca apuração sobre dinheiro de Daniel Vorcaro e o Caso Master

Cartaz do filme Dark Horse- Jair Bolsonaro-Flávio Bolsonaro-Daniel Vorcaro (Foto: Dark Horse-Flávio Bolsonaro-Jair Bolsoanro (Foto: Divulgação/Jair Bolsonaro/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Flávio Bolsonaro/Adriano Machado/Reuters/Daniel Vorcaro/Reprodução/ Montagem/IA Dall-e))
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247 - O parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) pode levar o caso Dark Horse à relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal, e deslocar a apuração sobre o dinheiro enviado por Daniel Vorcaro a fundos no exterior para o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro (PL) ao âmbito do caso Master, segundo Malu Gaspar, do jornal O Globo.

A manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi apresentada no contexto de um pedido feito pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), para que Alexandre de Moraes investigasse o episódio envolvendo um áudio em que Flávio Bolsonaro cobra recursos de Vorcaro. Gonet entendeu que a apuração não deveria ficar sob responsabilidade de Moraes, porque os fatos estariam ligados a outro procedimento em andamento no Supremo, já sob relatoria de Mendonça.

No pedido apresentado ao STF, Lindbergh defendia que o caso fosse vinculado ao inquérito relatado por Moraes que apurava se Eduardo Bolsonaro cometeu coação e tentou obstruir o processo da trama golpista, no qual Jair Bolsonaro figurava entre os alvos. Eduardo foi condenado na Primeira Turma na semana passada, por unanimidade, a 4 anos e 2 meses de reclusão.

A discussão ganhou força após uma série de reportagens do Intercept Brasil. Depois das publicações, Flávio Bolsonaro reconheceu ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro. Os valores teriam sido pagos por uma das empresas do ecossistema do Banco Master a um fundo administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro.

Ao analisar o pedido, Gonet sustentou que não seria adequado encaminhar a apuração a Alexandre de Moraes, uma vez que o caso Master já tem relator definido no Supremo. A avaliação abre caminho para que André Mendonça passe a conduzir uma investigação específica sobre os recursos destinados ao filme Dark Horse.

Nos bastidores, também pesou o fato de Moraes aparecer como potencial investigado em razão de um contrato de R$ 129 milhões firmado por sua mulher com o banco. A situação foi comparada à de Dias Toffoli, que se afastou da relatoria depois da revelação de negócios de Vorcaro com familiares do ministro. Toffoli também tem se declarado impedido de votar em julgamentos sobre o Master na Segunda Turma do Supremo.

Na noite desta segunda-feira (22), Moraes enviou o parecer de Gonet ao presidente do STF, Edson Fachin, para que ele defina o encaminhamento do caso. No Supremo e na PGR, a expectativa mencionada é que a apuração sobre Dark Horse seja tratada em um novo procedimento sob relatoria de Mendonça.

A movimentação ocorre em meio a um ambiente de disputa interna no tribunal. Além de ser descrito como aliado de Mendonça no Supremo, Fachin tem defendido a criação de um código de ética para ministros da Corte, proposta à qual Moraes se opõe.

Suspeitas sobre o destino dos recursos

Uma das linhas de investigação mencionadas é a suspeita de que o dinheiro de Vorcaro possa ter sido usado, na prática, para financiar o autoexílio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde março do ano passado. Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é o perfil da produtora responsável por Dark Horse.

A jornalista Karina Ferreira da Gama, proprietária da empresa ligada ao filme, nunca lançou um longa-metragem no Brasil nem no exterior. Ainda assim, ela afirma que a produção e a pós-produção já custaram o equivalente a US$ 13 milhões, cerca de R$ 65,7 milhões pela cotação atual citada no texto original.

O valor provocou estranhamento por superar orçamentos de filmes brasileiros recentes de grande repercussão e com múltiplas indicações ao Oscar, como O agente secreto, estimado em R$ 28 milhões, e Ainda estou aqui, estimado em R$ 45 milhões.

Filme sobre Bolsonaro reúne nomes de Hollywood

Dark Horse, expressão que pode ser traduzida como azarão, é protagonizado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro. Apoiador de Donald Trump, Caviezel já chamou o presidente dos Estados Unidos de “novo Moisés” e permaneceu cerca de três meses no Brasil para as gravações.

O elenco também conta com Esai Morales, conhecido por interpretar o vilão de Missão: Impossível - O acerto final. Apesar do investimento declarado e da première realizada em Las Vegas, o filme ainda não tem data de estreia no Brasil.

Durante a exibição nos Estados Unidos, o diretor Cyrus Nowrasteh afirmou esperar que a produção ajude na eleição de Flávio Bolsonaro. No entorno do senador, porém, há quem defenda que o longa seja lançado somente depois das eleições, como forma de reduzir possíveis desgastes para a candidatura bolsonarista.

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