HOME > Brasil

Auditoria do BC sobre o Banco Master foca atuação da gestão Campos Neto

Auditoria interna investiga atos que antecederam a quebra do banco Master e se havia sinais para intervenção antecipada

Ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - A investigação interna aberta no Banco Central (BC) voltou-se para a análise de decisões tomadas antes da liquidação do Banco Master e concentra-se na avaliação de atos praticados durante a gestão do então presidente da instituição, Roberto Campos Neto. A apuração busca esclarecer se havia elementos técnicos suficientes para que a intervenção tivesse ocorrido em momento anterior, o que poderia ter reduzido prejuízos expressivos ao sistema financeiro.

Segundo a coluna da jornalista Ana Flor, do G1, a principal linha de trabalho da auditoria contraria a tese apresentada por ex-gestores do banco investigado, segundo a qual a liquidação teria sido precipitada. Técnicos envolvidos na apuração consideram que existiam sinais que poderiam ter justificado a medida antes do agravamento da situação financeira.

Auditoria revisita decisões anteriores à liquidação

A liquidação de uma instituição financeira é considerada uma medida extrema, aplicada apenas em situações graves. No caso do Master, a avaliação interna do BC aponta que a demora na adoção dessa providência pode ter ampliado os danos financeiros. Apenas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o impacto é estimado em quase R$ 50 bilhões, além de perdas registradas por fundos de pensão e outros investidores não protegidos pelo mecanismo de garantia.

Segundo a reportagem, a sindicância analisa todo o percurso regulatório envolvendo o banco. O trabalho inclui desde a autorização concedida pelo BC para a transferência do controle do banco Máxima para o Master, passando pelo processo de consolidação dessa operação — que levou cerca de dois anos — até a identificação de problemas de liquidez ao longo de 2024.

Investigação dialoga com apurações do MPF

A investigação interna do BC ocorre paralelamente ao avanço das apurações conduzidas pelo Ministério Público Federal no caso Master. Essas investigações externas apontam fortes indícios de dificuldades de liquidez e da venda de carteiras fictícias ainda em 2024, elementos que reforçaram a necessidade de uma reavaliação da atuação do órgão regulador no período.

A auditoria busca responder a esses desdobramentos e verificar se a supervisão exercida pelo BC foi compatível com os sinais de deterioração financeira apresentados pelo banco antes da decretação da liquidação extrajudicial.

Declarações de Campos Neto antes da intervenção

Antes da liquidação do Master, Roberto Campos Neto se manifestou publicamente sobre o tema. Em entrevista à Globonews, em 27 de outubro, o então presidente do Banco Central afirmou que a negociação envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Master, posteriormente vetada pelo BC, não foi tratada durante sua gestão.

“O tema da negociação com o BRB eu fiquei sabendo pelos jornais, eu não sabia até a minha saída do Banco Central, isso nunca tinha sido ventilado, eu fiquei sabendo depois”, afirmou Campos Neto. Na mesma entrevista, ele avaliou que o banco não representava um risco sistêmico, mas sim um risco de imagem para o sistema financeiro.

Abertura da sindicância e afastamentos no BC

A abertura da sindicância foi determinada em novembro pelo atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O processo é conduzido de forma independente, uma vez que a liquidação extrajudicial de uma instituição financeira é considerada um ato grave e exige ampla documentação técnica. Após a instauração da investigação, os chefes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, foram afastados de seus cargos. Até o momento, não há acusações formais contra eles.

Artigos Relacionados