Banco Master pagou R$ 59 mi a ex-presidente, políticos e ex-ministros
Documentos da Receita revelam pagamentos de assessoria, consultoria e serviços jurídicos para políticos e autoridades
247 - O Banco Master declarou à Receita Federal pagamentos que somam ao menos R$ 59 milhões a políticos, ex-ministros, dirigentes partidários e um ex-presidente da República entre 2022 e 2025. Os registros indicam uma ampla rede de contratos de consultoria, assessoria e serviços jurídicos envolvendo figuras influentes da política nacional. As informações são do jornal O Globo.
Temer atuou em negociação com banco público
Entre os nomes listados está o ex-presidente Michel Temer. Segundo os documentos, seu escritório de advocacia recebeu R$ 10 milhões em 2025 por serviços prestados ao banco, relacionados à tentativa de venda do Master ao BRB.
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Temer explicou sua atuação.
"E eu fui para Brasília, estava lá uma reunião, estava o Daniel Vorcaro. E o governador Ibaneis me disse: 'Nós queríamos que você fizesse uma mediação, que nós ainda temos interesse em manter essa negociação, embora mais restrita, em face do que está acontecendo'. Então, foi assim que eu fui contratado. para fazer uma mediação. É o que eu estou fazendo", disse na ocasião
Em nota, Temer afirmou que o valor recebido foi inferior ao registrado e que seu escritório foi contratado para mediação jurídica, com honorários de R$ 5 milhões, além de R$ 2,5 milhões adicionais.
Mantega e aproximação com o governo
O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega recebeu R$ 14 milhões por meio de sua empresa de consultoria — R$ 8 milhões em 2025 e R$ 6 milhões em 2024. Durante esse período, ele atuou na aproximação do banco com o governo federal e levou Vorcaro a uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, no fim de 2024.
Lula afirmou posteriormente que, caso houvesse irregularidades envolvendo o banco, elas seriam investigadas.
Consultorias jurídicas e econômicas
Os registros também apontam pagamentos ao ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski. Entre 2023 e 2025, o escritório ligado ao jurista recebeu R$ 5,93 milhões por serviços de consultoria.
Em nota, Lewandowski informou que retomou a advocacia após deixar o STF, em abril de 2023, e que prestou serviços ao Banco Master até assumir o Ministério da Justiça em 2024, quando suspendeu suas atividades profissionais conforme a legislação.
Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda, recebeu R$ 8,6 milhões em 2025. Ele afirmou que manteve contrato de consultoria em macroeconomia e mercado financeiro com o banco, em caráter opinativo, entre março de 2024 e julho de 2025.
Ex-auxiliares de Bolsonaro e dirigentes partidários
A lista inclui ainda nomes ligados ao governo Jair Bolsonaro. A empresa do ex-secretário de Comunicação Social Fabio Wajngarten recebeu R$ 3,8 milhões, enquanto a firma do ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento obteve R$ 6,2 milhões. Wajngarten declarou que presta serviços regulares ao banco e que os valores foram devidamente informados.
No campo partidário, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, aparece com registros de R$ 2,1 milhões entre 2024 e 2025. Ele afirmou que não confirma os valores e destacou que as declarações fiscais são protegidas por sigilo, ressaltando que sua atuação teve caráter técnico e dentro da legalidade.
Contratos com consultorias políticas
O ex-prefeito de Salvador ACM Neto recebeu R$ 5,4 milhões por meio de sua empresa de consultoria entre 2023 e 2025. Em resposta, a empresa afirmou não ter acesso aos dados para validar os valores, mas destacou que os contratos foram firmados dentro da legalidade, com pagamento de impostos e prestação efetiva de serviços.
Os documentos também registram o pagamento de R$ 3 milhões, em 2022, à empresa Gralha Azul Empreendimentos, ligada ao Grupo Massa.
Investigações sobre o Banco Master
A divulgação ocorre em meio às investigações sobre o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, alvo de operações da Polícia Federal que apuram suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo a instituição.O ex-banqueiro Daniel Vorcaro está preso desde março no âmbito de investigações conduzidas pela Polícia Federal e negocia um acordo de delação premiada.


