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Barroso defende mandatos de 12 anos para ministros do STF e reconhece "momento difícil"

Ex-presidente do Supremo reconhece crise na Corte, mas evita "fazer juízos precipitados”

Ministro do STF, Luís Roberto Barroso (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

247 - O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou que a Corte atravessa um “momento difícil” em meio à crise relacionada ao Banco Master e às repercussões envolvendo integrantes do tribunal. A declaração foi feita durante entrevista ao programa do jornalista Roberto D’Ávila, exibido pela GloboNews.

Na conversa, Barroso reconheceu que existe uma percepção crítica em relação ao STF, mas defendeu que é necessário aguardar o avanço das investigações antes de tirar conclusões sobre o caso. “Há uma percepção crítica real. Eu leio jornal, eu vou à farmácia, eu tenho amigos. Portanto, é um momento difícil. Mas acho que a gente não deve fazer juízos precipitados”, declarou.

A controvérsia envolve o Banco Master e atingiu dois ministros do Supremo: Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Mensagens atribuídas a Moraes e ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do banco, vieram a público no dia em que o empresário foi preso pela primeira vez. Moraes nega ter recebido essas mensagens. Já Toffoli decidiu deixar a relatoria do caso após revelar que é sócio de uma empresa que vendeu participação no resort Tayayá, no Paraná, a fundos ligados a Vorcaro.

Durante a entrevista, Barroso afirmou que nunca tinha ouvido falar do empresário antes da repercussão do caso e reforçou que prefere aguardar os desdobramentos das apurações antes de fazer avaliações. Segundo ele, mesmo que algum episódio venha a ser considerado criticável, não é possível antecipar conclusões neste momento.

O ex-presidente do STF também elogiou a condução do processo pelo atual presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e pelo relator do caso, ministro André Mendonça.

Em um momento mais descontraído da entrevista, Roberto D’Ávila perguntou, em tom de brincadeira, se Barroso costuma apagar mensagens do celular. O ex-ministro respondeu negativamente e reagiu à pergunta com humor: “Não percebi a maldade da sua pergunta”.

Ao longo da conversa, Barroso também defendeu mudanças institucionais no Supremo. Para ele, o modelo ideal seria a adoção de mandatos para os ministros da Corte, com duração de 12 anos, inspirado no sistema utilizado na Alemanha. Atualmente, os integrantes do STF permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória.

Barroso ressaltou que períodos muito longos de exposição pública podem se tornar pesados para magistrados e seus familiares. “A exposição pública, ao longo do tempo, ela vai se tornando insuportável. Ela é pessoalmente insuportável, mas sobretudo porque afeta muito as pessoas que você gosta”, afirmou.

O ex-ministro também disse ver com bons olhos a possibilidade de criação de um código de ética específico para os integrantes do Supremo, embora tenha ponderado que o momento escolhido para discutir a proposta pode não ter sido o mais adequado.

Barroso anunciou sua aposentadoria do STF em outubro de 2025, após mais de uma década atuando na Corte. Na entrevista, comentou ainda sobre os ataques frequentes que recebe nas redes sociais e voltou a afirmar que não costuma apagar mensagens antigas do celular. “Como eu tenho má memória, tenho mensagens de trocentos anos atrás”, disse.

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