Quaest: 49% não confiam no STF e 66% consideram apoio a impeachment de ministros
Crise de confiança no STF em meio ao caso Master gera onda pró-impeachment em ano eleitoral
247 - Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (12) aponta que uma parcela significativa da população brasileira avalia que o Supremo Tribunal Federal (STF) exerce poder excessivo no país e demonstra disposição para apoiar candidatos ao Senado que defendam o impeachment de ministros da Corte. De acordo com o levantamento, 72% dos entrevistados consideram que o tribunal concentra poder além do adequado.
O mesmo estudo revela que 66% dos brasileiros consideram importante votar, nas eleições deste ano, em candidatos ao Senado que assumam compromisso com a possibilidade de impeachment de ministros do STF. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre sexta-feira (6) e segunda-feira (9), com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-05809/2026.
O levantamento também mediu a confiança da população na Suprema Corte. Segundo os dados, 49% afirmaram não confiar no STF, enquanto 43% disseram confiar na instituição. O cenário representa uma mudança em relação a novembro de 2022, quando 56% declaravam confiança no tribunal e 40% afirmavam não confiar.
Outro dado apontado pela pesquisa indica que 59% dos entrevistados veem o STF como aliado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre eleitores bolsonaristas e eleitores de direita não alinhados ao bolsonarismo, esse percentual chega a 84%. Ao mesmo tempo, 51% dos entrevistados afirmaram que o tribunal teve papel importante para a manutenção da democracia no Brasil, enquanto 38% discordam dessa avaliação.
O estudo também investigou a repercussão do caso envolvendo Daniel Vorcaro, empresário e proprietário do Banco Master, preso pela Polícia Federal. Cerca de dois terços dos entrevistados disseram já ter conhecimento da prisão antes da pesquisa, enquanto 33% afirmaram ter tomado conhecimento do caso apenas durante o levantamento.
Quando questionados sobre quem teve a imagem mais afetada pelo escândalo, 40% responderam que todos os agentes citados foram prejudicados. Entre as instituições ou atores individuais mencionados, o STF e o Judiciário foram os mais apontados, com 13%. Em seguida aparecem o governo Jair Bolsonaro (PL), com 11%, o governo Lula, com 10%, o Banco Central, com 5%, e o Congresso Nacional, com 3%.
A pesquisa também avaliou o impacto do episódio nas intenções de voto. Segundo os dados, 38% afirmaram que evitariam votar em qualquer candidato envolvido no escândalo do Banco Master. Outros 29% disseram que levariam o tema em consideração junto a outros fatores na escolha eleitoral, enquanto 20% afirmaram que o caso não influenciaria sua decisão de voto.
As investigações relacionadas aos negócios de Vorcaro revelaram conexões entre o empresário e diversas autoridades. Desde a liquidação do Banco Master no ano passado, lideranças políticas de diferentes espectros têm sido mencionadas no caso, incluindo integrantes do Congresso, governadores, ex-ministros e prefeitos.
Reportagens indicaram ainda que o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, firmou um contrato de prestação de serviços com o Banco Master que poderia alcançar até R$ 129 milhões. Na semana anterior, também vieram a público mensagens que teriam sido trocadas entre Moraes e Vorcaro no dia em que o empresário foi preso pela primeira vez. O ministro afirma que não recebeu as mensagens.
O ministro Dias Toffoli havia sido o relator do inquérito envolvendo o Banco Master antes de deixar a condução do caso. A pressão para seu afastamento aumentou após reportagem revelar conexões entre o magistrado, o resort Tayayá e o banco de Vorcaro. Na quarta-feira (11), Toffoli declarou-se suspeito para participar do julgamento que resultou na prisão do empresário.
O ministro também se declarou impedido de relatar o pedido para que o Congresso Nacional instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar suspeitas de fraudes financeiras relacionadas à relação entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília).


