“Bolsonaro teve quatro anos para fazer alguma coisa e não fez nada” sobre bets, diz Haddad
Ex-ministro diz que legalização ocorreu no governo Temer e destaca medidas para restringir apostas e combater dependência
247 - O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a liberação das apostas esportivas online, conhecidas como bets, não ocorreu durante os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas sim na gestão do ex-presidente Michel Temer. Em entrevista ao podcast Três Irmãos, Haddad também criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro por, segundo ele, não ter adotado medidas para regular o setor ao longo de seu mandato.
De acordo com Haddad, a atual administração federal implementou regras para o funcionamento das plataformas de apostas, além de estabelecer restrições para grupos considerados mais vulneráveis. O ministro argumentou que o governo Lula assumiu a tarefa de regulamentar um mercado que já operava sem controles adequados.
“Não foi o Lula que liberou as bets, foi o Temer. Bolsonaro teve quatro anos para fazer alguma coisa e não fez nada: nem cobrou imposto, nem proibiu, deixando crianças, idosos e beneficiários do Bolsa Família jogarem”, escreveu Haddad.
O ex-ministro destacou algumas das medidas adotadas pelo governo federal para aumentar a fiscalização e reduzir os impactos sociais associados às apostas online. “Nós regulamentamos. Proibimos beneficiários do Bolsa Família e crianças. Agora, qualquer pessoa pode se autoexcluir do sistema de casas de apostas, sem possibilidade de reaver essa decisão”, afirmou.
Haddad também ressaltou ações voltadas ao tratamento de pessoas que desenvolveram dependência em jogos de apostas. Segundo ele, o Ministério da Saúde está envolvido no atendimento e acompanhamento desses casos.
“O Ministério da Saúde está atuando com quem desenvolveu dependência, e há um controle maior de publicidade do que em gestões anteriores”, declarou.
Apesar de defender os avanços promovidos pelo governo, o ministro reconheceu que os desafios relacionados ao crescimento das apostas online ainda estão longe de serem resolvidos. Para ele, o problema possui dimensão mais ampla do que muitas vezes é percebida pela sociedade.
“Isso é suficiente? Não. O problema é muito mais grave do que parece”, afirmou Haddad.
O ex-chefe da Fazenda também destacou que, antes da regulamentação implementada pela atual gestão, não havia cobrança de tributos sobre os resultados financeiros das empresas do setor. “Mas antes não se cobrava nem imposto sobre o lucro líquido das bets”, concluiu o ministro.



