Caiado diz que sua candidatura vai até o fim e aponta inexperiência de Flávio Bolsonaro
Ex-governador de Goiás rejeita pressão por unidade no primeiro turno e afirma estar preparado para enfrentar o presidente Lula
247 – O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado afirmou que manterá sua candidatura à Presidência da República em 2026 até o fim, rejeitando qualquer pressão para desistir da disputa ainda no primeiro turno. As declarações foram dadas durante participação no programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, que revelou também críticas indiretas à articulação liderada por figuras como Valdemar Costa Neto e o senador Flávio Bolsonaro.
Segundo a reportagem da Jovem Pan, Caiado reagiu aos apelos de lideranças do Partido Liberal por uma unificação antecipada da direita. Em resposta, ele destacou sua trajetória política e experiência administrativa como credenciais para a disputa presidencial. “Valdemar, você sabe que, neste momento, eu venho de uma experiência de 40 anos de vida pública, com experiência comprovada de gestão e, ao mesmo tempo, uma condição de poder enfrentar o Lula”, afirmou.
Ao mencionar o senador Flávio Bolsonaro, também apontado como nome relevante no campo da direita, Caiado sinalizou diferenças de trajetória e maturidade política, reforçando a ideia de que sua experiência o coloca em posição mais sólida para a disputa. Sem citar diretamente críticas pessoais, o ex-governador indicou que o momento exige liderança testada e capacidade de gestão.
Ele também ressaltou que mantém bom relacionamento com dirigentes partidários, inclusive com o presidente do PL. “Tenho uma convivência excelente com todos os presidentes de partido, especialmente com esse amigo que hoje, com muita competência, preside o PL”, disse, ao comentar sua relação com Valdemar Costa Neto.
Confiança eleitoral e críticas ao governo
Caiado demonstrou confiança no cenário eleitoral de 2026 e afirmou acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será derrotado em um eventual segundo turno. A declaração reforça sua estratégia de se posicionar como alternativa competitiva dentro do campo conservador.
Durante a entrevista, ele também criticou o que classificou como “ativismo judicial”, atribuindo o fenômeno à ausência de liderança do governo federal. Para Caiado, o cenário atual evidencia fragilidades institucionais que, em sua avaliação, precisariam ser enfrentadas com mais firmeza pelo Executivo.
Segurança pública como eixo central
Na área da segurança pública, o pré-candidato apresentou diretrizes do que pretende implementar caso seja eleito. Segundo ele, a prioridade será reforçar o apoio da União aos estados no combate ao crime organizado.
Caiado defendeu a retomada de territórios dominados por facções criminosas e a ampliação da atuação coordenada entre forças federais e estaduais, como forma de restabelecer a presença do Estado em regiões críticas.
Divergências no PSD e cenário da direita
O ex-governador também abordou tensões internas no PSD, especialmente em relação ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Caiado criticou posicionamentos recentes e a condução política do presidente da legenda, Gilberto Kassab.
Segundo ele, não há, no momento, uma construção consistente de uma “terceira via” capaz de atrair eleitores que rejeitam tanto o presidente Lula quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, destacou que mantém diálogo com Leite e o considera um aliado político.
Trajetória e decisão de disputar
Com mais de quatro décadas de vida pública, Caiado relembrou que já disputou a Presidência da República em 1989 e afirmou que sua experiência o credencia novamente ao cargo. Ele deixou o governo de Goiás no fim de março para se dedicar integralmente à pré-campanha.
Ao reforçar que seguirá na disputa até o fim, o ex-governador sinaliza que a eleição de 2026 deve ter um campo da direita fragmentado no primeiro turno, com múltiplas candidaturas disputando espaço e protagonismo.


