Caiado firma acordo com EUA para exploração de minerais críticos em Goiás
Parceria prevê cooperação tecnológica e científica para agregar valor às terras raras e atrair investimentos ao estado
247 - O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), assinou nesta quarta-feira (18) um memorando de entendimento com o governo dos Estados Unidos para estabelecer uma parceria voltada à exploração de minerais críticos e terras raras no estado. O documento foi formalizado no Consulado Geral dos EUA em São Paulo e prevê cooperação em áreas como pesquisa, capacitação e desenvolvimento de um ambiente regulatório competitivo.
O acordo ainda não possui força de lei e não detalha mecanismos operacionais ou incentivos fiscais para empresas do setor. A assinatura contou com a presença do encarregado de negócios da embaixada norte-americana, Gabriel Escobar, que representou o país.
Goiás busca agregar valor à produção mineral
Goiás concentra atualmente a única operação de extração de terras raras em atividade no Brasil, localizada em Minaçu, no norte do estado. A exploração é conduzida pela mineradora Aclara, e o novo acordo busca ampliar o papel do estado na cadeia produtiva desses recursos estratégicos.
Segundo Caiado, a iniciativa pretende transformar Goiás em um polo que vá além da exportação de matéria-prima. “Esta parceria hoje assinada, ela propõe o desenvolvimento do estado, o auxílio do mapeamento dos nossos potenciais minerais, e também absorver a tecnologia, avançar na pesquisa, para que Goiás não seja apenas um exportador de matéria bruta”, afirmou o governador.
Estados Unidos sinalizam interesse em ampliar cooperação
Embora o memorando não apresente detalhes concretos sobre a cooperação científica e tecnológica, o representante norte-americano indicou disposição para avançar nas negociações. “Como dizemos nos Estados Unidos, este é um acordo win-win”, declarou Gabriel Escobar. “Isto vai abrir as portas para mais investimento, mais cooperação e parceria científica, econômica e vários tipos de outros assuntos".
Empresas americanas interessadas na iniciativa não foram mencionadas oficialmente no documento. No entanto, um evento promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), realizado logo após a assinatura, reuniu representantes do setor e discutiu oportunidades no segmento de minerais críticos.
Disputa estratégica por minerais ganha força
Os Estados Unidos vêm ampliando sua atuação internacional para garantir acesso a minerais estratégicos, essenciais para setores como energia limpa, mobilidade elétrica e indústria tecnológica. Um fórum organizado em São Paulo listou sete projetos potenciais no Brasil, sendo cinco em Minas Gerais, um no Piauí e outro na Bahia.
Apesar do avanço em nível estadual, as negociações entre o governo norte-americano e o governo federal brasileiro ainda não apresentaram novos resultados nas últimas semanas. Escobar afirmou esperar progresso nessas tratativas, mas não indicou prazos.
A embaixada dos EUA confirmou que David Copleu, integrante do Conselho de Segurança Nacional, deve desembarcar no Brasil ainda nesta semana para discutir especificamente a exploração de minerais críticos.
Importância estratégica dos minerais
Os minerais críticos e as terras raras têm papel central na economia global contemporânea. Elementos como lítio e cobalto são fundamentais para baterias de veículos elétricos e sistemas de energia limpa. Já metais como disprósio e térbio são utilizados em equipamentos militares de alta tecnologia.
Além disso, a indústria de semicondutores depende de minerais como gálio e germânio, o que reforça o interesse internacional por reservas localizadas no Brasil, especialmente em regiões como Goiás, que despontam como estratégicas nesse cenário global competitivo.


