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Caminhoneiros ameaçam com greve e Planalto vê articulação bolsonarista

Integrantes do governo federal veem indícios de mobilização com viés oposicionista e interesse eleitoral

Homem segura bandeira brasileira durante bloqueio na BR-251 em Planaltina 31/10/2022 (Foto: REUTERS/Diego Vara)

247 - A possível paralisação de caminhoneiros voltou ao centro do debate político em Brasília, com integrantes do governo federal apontando indícios de influência bolsonarista na mobilização. Segundo relatos de interlocutores do Palácio do Planalto, a rapidez com que grupos da categoria reagiram às discussões sobre o aumento de custos, especialmente do diesel, levantou suspeitas sobre um movimento articulado com interesses políticos, informa o UOL

De acordo com membros de diferentes ministérios, a resistência encontrada logo no início das negociações com lideranças do setor chamou a atenção do governo. Embora associações de caminhoneiros não reconheçam oficialmente qualquer motivação política, integrantes da gestão federal avaliam que o viés oposicionista ficou evidente durante as tratativas.

Nos bastidores, governistas afirmam não ter identificado, até o momento, uma liderança parlamentar ou partidária diretamente envolvida na organização das ameaças de paralisação. Ainda assim, há a percepção de que setores da direita estariam estimulando o movimento com objetivos eleitorais.

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também recordam episódios recentes para sustentar essa avaliação. Após a vitória eleitoral de 2022, caminhoneiros autônomos promoveram bloqueios em rodovias de 25 estados e do Distrito Federal, questionando o resultado das urnas. O episódio é frequentemente citado como exemplo da politização crescente da categoria.

Reservadamente, integrantes do governo chegam a classificar a postura de parte dos caminhoneiros como uma forma de pressão recorrente sobre autoridades. Há relatos de que estratégias semelhantes teriam sido utilizadas inclusive durante o governo Jair Bolsonaro (PL), quando a categoria, mesmo sendo considerada aliada, ameaçou paralisações diante da alta dos combustíveis em 2021.

O peso político do setor também é reconhecido no Congresso Nacional. Um dos exemplos mencionados é o do deputado federal Zé Trovão (PL-SC), alinhado ao bolsonarismo, que ganhou projeção durante mobilizações anteriores e foi eleito em 2022 após participação em movimentos de 2018 e 2021.

Apesar das suspeitas levantadas pelo governo, lideranças dos caminhoneiros rejeitam qualquer associação com disputas políticas. Wallace Landim, conhecido como Chorão e uma das principais vozes favoráveis à paralisação, afirmou que o movimento não tem caráter ideológico. “Sou uma pessoa que não participa de nenhuma pauta política, nem para defender governo A ou B. Tanto é que, depois de 2018, várias pessoas chamaram paralisação e eu sempre fui contra, por ser movimento político”, declarou o presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores) em entrevista ao canal UOL.

Enquanto o governo tenta conter a escalada da mobilização, o cenário segue indefinido, com tensão entre as demandas econômicas da categoria e a leitura política que envolve o movimento.

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