Caso Master: papel de Campos Neto tem que ser esclarecido, diz Lindbergh
Deputado questiona decisão do então presidente do BC, Roberto Campos Neto, e leva caso Master à Polícia Federal e à PGR
247 - O caso Master intensifica a pressão sobre o Banco Central (BC) após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) voltar pedir a investigação da atuação do ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto. O parlamentar questiona decisões envolvendo a criação do Banco Master e levou o tema à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). As declarações foram feitas em entrevista ao programa Estúdio I, da Globonews.
Lindbergh é autor de representações protocoladas na PGR, na PF e na Comissão de Ética da Presidência da República, nas quais solicita apuração sobre a conduta de Campos Neto à frente do BC entre 2019 e 2024.
Pressão por esclarecimentos
Durante a entrevista, nesta segunda-feira (13), o deputado destacou a necessidade de transparência por parte do Banco Central e defendeu a investigação do caso. “Foram três tentativas de Daniel Vorcaro de comprar o Banco Master e tinha uma dúvida sobre a origem dos recursos. É estranho que, no final do ano, isso tenha sido autorizado por Roberto Campos Neto. Mas o papel de Campos Neto tem que ser esclarecido e eu acho que só a Polícia Federal (PF). Porque, veja, foi a PF que prendeu Beline Santana e Paulo Sérgio Neves”, afirmou.
Lindbergh também mencionou divergências internas na instituição ao comentar a escolha de dirigentes. “Quando Roberto Campos Neto estava saindo do cargo, ele mandou os nomes deles para serem reconduzidos à Diretoria de Fiscalização e foi Haddad quem optou por outro nome”, disse.
Depoimento na CPI e reação política
O deputado criticou ainda o posicionamento do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, que prestou depoimento à CPI do Crime Organizado no último dia 8 de abril. Segundo Lindbergh, há sinais de corporativismo na instituição.
Na CPI, Galípolo afirmou: “Não há nenhum processo de auditoria ou sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Campos Neto”.
Ao abordar a venda do Banco Máxima para o empresário Daniel Vorcaro, o parlamentar reiterou que a operação havia sido negada anteriormente em ao menos três ocasiões pelo antecessor de Campos Neto. “Não falei com o Lula depois da declaração de Galípolo, mas falei com outras pessoas que ficaram frustradas”, declarou.
Caso ganha dimensão política
A investigação solicitada por Lindbergh foi formalizada em 5 de março, quando ele apresentou representação à PGR apontando possível “omissão dolosa” de Campos Neto no caso Master.
O tema também repercutiu no governo federal. Em discurso no dia 16 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou tentativas de associar o episódio à atual gestão. “Vira e mexe, eles estão tentando empurrar as costas do PT e do governo esse Banco Master. Esse Banco Master é obra, é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central. E nós não deixaremos pedra sob pedra para a gente apurar tudo o que fizeram dando um roubo de 50 bilhões nesse país. Se a gente não tomar cuidado, vão tentar dizer que somos nós”, afirmou.


