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Caso Master: PF prepara relatório sobre autoridades com foro

Documento da PF sobre autoridades com foro no caso Banco Master será enviado ao ministro do STF André Mendonça e pode orientar o destino do inquérito

André Mendonça (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Ton Molina/STF)

247 - A Polícia Federal (PF) prepara um relatório sobre autoridades com foro no caso Banco Master, que será enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e pode orientar o destino do inquérito na Corte. O documento deve reunir referências a autoridades mencionadas nas investigações e servirá de base para a definição dos próximos passos da apuração.

Segundo a coluna do jornalista César Feitoza, do SBT News, o relatório deve ser entregue na próxima semana e não trará, neste momento, pedidos de busca nem de prisão preventiva. A peça tem caráter informativo e será usada pelo ministro para avaliar se partes da investigação devem ou não ser remetidas a instâncias inferiores.

Relatório da PF será analisado por Mendonça

De acordo com a reportagem, um delegado da Polícia Federal com acesso às apurações afirmou, sob reserva, que o documento ainda está em análise. A avaliação predominante entre investigadores é a de que os inquéritos não devem deixar o STF, porque a análise dos celulares de Daniel Vorcaro e de aliados revelou conversas e menções a parlamentares, integrantes de governos e ministros do Supremo.

Nesse contexto, o relatório busca evitar que as investigações tramitem em foro considerado inadequado, diante da presença de nomes de autoridades com prerrogativa de função nas apurações em curso.

Citações a autoridades não significam investigação

A menção a autoridades nos materiais analisados, porém, não significa que elas sejam investigadas nem suspeitas de crime. A cautela da PF está relacionada à necessidade de definir corretamente a competência para a tramitação dos procedimentos. A corporação mantém vários inquéritos abertos sobre o Banco Master. Um deles apura pressões políticas nas negociações entre o banco de Daniel Vorcaro e o BRB.

Apurações alcançam relações políticas e contratuais

As investigações também se baseiam em quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Vorcaro. Os dados encontrados pela PF apontam relações contratuais e de amizade do banqueiro com agentes do meio político.

Entre os elementos reunidos está a comemoração, por parte de Vorcaro, de uma emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira, presidente do PP, para ampliar o limite de ressarcimento do Fundo Garantidor de Crédito, medida que beneficiaria os negócios do Banco Master.

O banqueiro também manteve conversas por WhatsApp com o ministro do STF Alexandre de Moraes. A Polícia Federal também relatou ao Supremo negócios do grupo de Vorcaro com familiares do ministro Dias Toffoli envolvendo o resort Tayaya, fato que levou o ministro a deixar a relatoria do caso.

O Banco Master também declarou à Receita Federal pagamentos milionários a escritórios e empresas ligados ao ex-presidente Michel Temer, ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda, à família do governador do Paraná, Ratinho Jr., ao político ACM Neto e aos ex-ministros Guido Mantega, Ricardo Lewandowski e Henrique Meirelles.

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