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Paulo Henrique Costa foi 'peça essencial' na compra de carteiras fraudulentas do Master, diz PGR

PF e PGR indicam esquema com créditos fictícios e suposta propina em imóveis

Paulo Gonet e Paulo Henrique Costa (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil | Kim Wyller/Lide)

247 - O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, é apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como peça central em um esquema que envolvia a aquisição de carteiras de crédito fraudulentas, com pagamento de vantagens indevidas em imóveis de alto valor. A investigação também indica a existência de uma estrutura organizada para viabilizar operações irregulares entre o banco público e o Banco Master.

A manifestação da PGR foi favorável à prisão de Paulo Henrique e se baseia em elementos reunidos pela Polícia Federal (PF), que apontam indícios de participação ativa do ex-dirigente no esquema.

Indícios de organização criminosa

De acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, há evidências de que o então presidente do BRB atuou diretamente para permitir a compra das carteiras fictícias do Banco Master. O parecer destaca a existência de uma organização criminosa voltada à criação, comercialização e transferência desses ativos fraudulentos.

O documento menciona a participação tanto de agentes do banco privado quanto de integrantes da alta administração do banco público, indicando um esquema estruturado para burlar mecanismos de controle.

Suposta propina em imóveis milionários

A investigação aponta que as vantagens indevidas atribuídas a Paulo Henrique teriam sido pagas por meio da aquisição de seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília. O valor total estimado chega a R$ 146,5 milhões, dos quais cerca de R$ 74,6 milhões já teriam sido efetivamente quitados.

Segundo a apuração, os recursos teriam sido utilizados na compra de quatro imóveis na capital paulista e dois no Distrito Federal.

Papel de advogado no esquema

Outro alvo da operação, o advogado Daniel Lopes Monteiro, também foi citado pela PGR como peça relevante na engrenagem do esquema. Segundo o órgão, ele teria atuado na estrutura jurídica das operações, incluindo a formalização de negócios entre o Banco Master, a empresa Tirreno e o BRB.

A PGR aponta ainda que o advogado teria participado da ocultação do verdadeiro beneficiário das aquisições imobiliárias, além de obter vantagem econômica própria estimada em mais de R$ 86 milhões.

Decisão do STF e prisão

O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), destacou em sua decisão que há “fortes indícios” de que Paulo Henrique atuava como “verdadeiro mandatário” do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

“O acervo dos autos revela, assim, fortes indícios de que o presidente da estatal do Distrito Federal, o investigado Paulo Henrique atuava como um verdadeiro mandatário de Daniel Vorcaro no âmbito do BRB e que, em contrapartida, receberia imóveis avaliados em aproximadamente 150 milhões de reais”, escreveu o ministro.

Paulo Henrique foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (16/4), em Brasília, durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

Defesa nega irregularidades

A defesa do ex-presidente do BRB nega as acusações. O advogado Cleber Lopes afirmou que Paulo Henrique “não cometeu crime algum”.

As investigações também indicam que os envolvidos teriam estruturado um sistema paralelo de compliance para contornar regras internas e mecanismos de controle do banco público, ampliando a complexidade do esquema investigado.

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