Casos Master e INSS começaram em um governo que ignorava a corrupção, critica CGU
Ministro Vinicius de Carvalho diz que governo Lula fortaleceu fiscalização e critica gestão Bolsonaro por “falar muito” e não enfrentar irregularidades
247 - O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius de Carvalho, afirmou nesta quinta-feira (12) que os casos envolvendo fraudes no Banco Master e no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tiveram início em governos que, segundo ele, não conseguiam detectar corrupção. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Bom dia, ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Ao comentar o tema, Carvalho comparou o combate à corrupção ao funcionamento de uma cidade que possui ou não um aparelho de ressonância magnética para detectar doenças graves. Na analogia, ele argumentou que locais que contam com instrumentos adequados conseguem identificar problemas e, por isso, registram mais casos, enquanto cidades sem estrutura de investigação podem alegar inexistência de ocorrências por falta de apuração.
“O governo do presidente Lula é o governo em que tem ressonância magnética, é o governo em que as pessoas podem ter certeza que a CGU faz o seu trabalho, a Polícia Federal faz o seu trabalho, a Receita Federal faz o seu trabalho e todos os órgãos responsáveis por controle, fiscalização e investigação fazem o seu trabalho”, declarou o ministro.
Durante a entrevista, Vinicius de Carvalho também afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não politiza o combate à corrupção, defendendo que o tema deve ser tratado com autonomia institucional e fortalecimento dos órgãos de controle.
Em contraste, ele criticou a postura de Jair Bolsonaro (PL), alegando que, embora o tema fosse frequentemente citado durante seu governo, não houve ações efetivas no enfrentamento das irregularidades. “É melhor um presidente que não politiza o tema da corrupção, como o presidente Lula não politiza e deixa as instituições trabalharem, do que um presidente que fala de corrupção todo dia como a gente tinha no Brasil e não fazia nada, não enfrentava o tema na verdade”, afirmou Carvalho.
O ministro ainda mencionou dados de uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo a qual os brasileiros demonstram maior confiança no setor público e nas políticas de combate à corrupção. Apesar disso, ele criticou indicadores que medem apenas a percepção popular sobre o tema, apontando que essa metodologia pode distorcer os resultados.
Para Carvalho, quando casos de corrupção são descobertos e investigados, isso pode aumentar a percepção de irregularidades, mesmo que o crescimento esteja ligado ao fortalecimento da fiscalização. “Se o índice ao detectar uma percepção pior da população sobre corrupção está detectando que na verdade isso está acontecendo por conta desses casos que estão sendo descobertos, o índice tem que ser discutido, tem que ser debatido, porque o índice pode premiar a cidade que não tem ressonância magnética e qual é o sentido disso, qual é a utilidade disso”, concluiu.


