Crise na Amprev expõe Alcolumbre e pode destravar indicação de Jorge Messias ao STF
Operação da Polícia Federal no Amapá pressiona o Senado, reacende debate sobre o caso Master e altera o clima político em Brasília
247 – A operação de busca e apreensão da Polícia Federal que atingiu dirigentes da Amapá Previdência (Amprev), na sexta-feira, 6 de fevereiro, colocou o senador Davi Alcolumbre (União-AP no centro de uma crise política que envolve investimentos em ativos do grupo Master, a resistência do Senado à instalação de uma CPI e a disputa de forças em torno de pautas estratégicas do governo federal. A avaliação é de que o novo cenário pode reduzir a hostilidade no Senado a demandas do Planalto, entre elas a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal.
As informações foram publicadas pelo jornal Valor Econômico, que detalhou como a ofensiva sobre o fundo de previdência do Amapá altera o ambiente político em Brasília num momento decisivo para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O caso ocorre às vésperas do Carnaval, período após o qual Lula já indicou que pretende encaminhar formalmente a indicação de Messias ao STF.
Na noite de quarta-feira, 4 de fevereiro, enquanto o presidente Lula recebia o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB, e deputados para um jantar na Granja do Torto, Alcolumbre participava das comemorações do aniversário de Macapá. No mesmo dia, publicou um vídeo em suas redes sociais no qual aparece dançando com a esposa, Liana Andrade, convidando para a festa com a frase: "Se não for pra cantar com o coração, nem vou".
Dois dias depois, a Polícia Federal deflagrou a operação que teve como alvo dirigentes da Amprev. Entre eles está Jocildo Lemos, apontado como ex-tesoureiro das campanhas de Alcolumbre em 2018 e 2022 e indicado pelo senador para o cargo. De acordo com a reportagem, na condição de presidente da Amprev, Lemos seria o responsável final por manter aportes de recursos no Master mesmo após advertências do Ministério da Previdência Social, do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público Federal.
Ainda na sexta-feira, Alcolumbre divulgou uma nota em tom institucional, na qual afirmou ter “confiança nas instituições e na justiça”, declarou apoio às investigações e disse esperar que os “verdadeiros culpados” sejam punidos. Apesar do tom cauteloso, a operação expôs a dificuldade política para sustentar a narrativa de que haveria um “acordão” entre os Três Poderes para estancar as investigações sobre o grupo Master.
A reportagem destaca que, diferentemente do que ocorreu no caso da Rioprevidência, no Rio de Janeiro, a operação no Amapá não resultou em prisões, limitando-se a buscas e apreensões. As diligências também pouparam Alberto Alcolumbre, irmão do senador, que ocupa cargo de conselheiro do fundo. Ainda assim, o episódio abriu um flanco político relevante, com potencial de produzir efeitos no Senado nas próximas semanas.


