CVM afirma que já investigava o Banco Master antes de 2022
Presidente interino diz que órgão abriu 24 processos e aponta falta de estrutura como obstáculo às apurações
247 - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já tinha conhecimento de indícios de irregularidades envolvendo o Banco Master antes de 2022 e instaurou uma série de procedimentos para apuração do caso. A informação foi confirmada pelo presidente interino do órgão, João Accioly, em depoimento prestado na terça-feira (24).
As declarações foram dadas ao grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, responsável por acompanhar as investigações relacionadas ao banco. Accioly detalhou que a autarquia identificou relatórios com ressalvas sobre a instituição financeira e abriu processos específicos para examinar operações envolvendo o Master.
De acordo com o presidente interino, há atualmente 24 processos em andamento que têm como foco as negociações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Ele ressaltou, no entanto, que limitações estruturais têm comprometido a velocidade das análises.
Segundo Accioly, a escassez de recursos humanos e tecnológicos tem impactado diretamente o ritmo das apurações. “O pessoal trabalha além da capacidade máxima. Há muitos servidores que têm atuação exaustiva. Há recursos tecnológicos que precisam ser feitos”, afirmou durante a audiência no Senado.
O dirigente também defendeu mudanças no nível de transparência do mercado de capitais, especialmente no que diz respeito aos fundos de investimento. Para ele, é necessário ampliar o debate sobre a divulgação de informações relativas aos cotistas. “Por que o fundo não tem os cotistas abertos? É algo que deve, no mínimo, ser debatido”, declarou.
A defesa de Daniel Vorcaro se manifestou sobre o caso em nota:
A defesa de Daniel Vorcaro esclarece que as investigações e processos em curso ainda não resultaram em decisão definitiva ou conclusão técnica final que permita afirmar a existência de irregularidades.
Generalizações e conclusões antecipadas são incompatíveis com o devido processo legal e com a necessária análise técnica dos fatos. Esse tipo de abordagem é especialmente lamentável quando parte de autoridade pública, que deveria se pautar pela isenção, neutralidade e respeito às garantias fundamentais.
A defesa reafirma que seguirá exercendo plenamente o direito ao contraditório e à ampla defesa, confiante de que a apuração técnica e imparcial esclarecerá integralmente as circunstâncias envolvidas.


